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O Grande Conflito
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Introdução
Antes que o pecado entrasse no mundo, Adão gozava
plena comunhão com seu Criador. Desde, porém, que o homem se separou de
Deus pela transgressão, a raça humana ficou privada desse alto
privilégio. Pelo plano da redenção, entretanto, abriu-se um caminho
mediante o qual os habitantes da Terra podem ainda ter ligação com o
Céu. Deus Se tem comunicado com os homens mediante o Seu Espírito; e a
luz divina tem sido comunicada ao mundo pelas revelações feitas a Seus
servos escolhidos. "Homens santos de Deus falaram inspirados pelo
Espírito Santo." 2 S. Pedro 1:21.
A Escritura Sagrada aponta a Deus como seu autor; no
entanto, foi escrita por mãos humanas, a no variado estilo de seus
diferentes livros apresenta os característicos dos diversos escritores.
As verdades reveladas são dadas por inspiração de Deus (2 Timóteo
3:16); acham-se, contudo, expressas em palavras de homens. O Ser
infinito, por meio de Seu Santo Espírito, derramou luz no entendimento
a coração de Seus servos. Deu sonhos a visões, símbolos a figuras; a
aqueles a quem a verdade foi assim revelada, concretizaram os
pensamentos em linguagem humana.
Os Dez Mandamentos foram pronunciados pelo próprio
Deus, a por Sua própria mão foram escritos. Sãó de redação divina a não
humana. Mas a Escritura Sagrada, com suas divinas verdades, expressas
em linguagem de homens, apresenta uma união do divino com o humano.
União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era o Filho de Deus
a Filho do homem. Assim, é verdade com relação à Escritura, como o foi
em relação a Cristo, que "o Verbo Se fez carne a habitou entre nós." S.
João 1:14.
Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o
conhecimento necessário à salvação. As Santas Escrituras devem ser
aceitas como autorizada a infalível revelação de Sua vontade. Elas são
a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da
experiência religiosa. "Toda Escritura é inspirada poi -Deus a útil
para o ensino, para a repreensão, para a correção. para a educação na
justiça, a fim de que o homem de Dew seja perfeito a perfeitamente
habilitado para toda boa obra." 2 Timóteo 3:16 a 17.
Todavia, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos
homens por meio de Sua Palavra, não tornou desnecessária a contínua
presença a direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi
prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a Seus servos, para
iluminar a aplicar os seus ensinos. E visto ter sido o Espírito de Deus
que inspirou a Escritura Sagrada, é impossível que o ensino do Espírito
seja contrário ao da Palavra.
O Espírito não foi dado - nem nunca o poderia ser - a
fim de sobrepor-Se à Escritura; pois esta explicitamente declara ser
ela mesma a norma pela qual todo ensino a experiência devem ser
aferidos. Diz o apóstolo S. João: "Não creiais a todo o espírito, mas
provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se
têm levantado no mundo." 1 S. João 4:1. E Isaías declara: "A Lei a ao
Testemunho! se eles não talarem segundo esta palavra, não haverá manhã
para eles." Isaías 8:20.
Em harmonia com a Palavra de Deus, deveria Seu
Espírito continuar Sua obra durante todo o período da dispensação
evangélica. Durante os séculos em que as Escrituras do Velho Testamento
bem como as do Novo estavam sendo dadas, o Espírito Santo não cessou de
comunicar luz a mentes individuais, independentemente das revelações a
serem incorporadas no cânnon sagrado. A Biblia mesma relata como
mediante o Espírito Santo, os homens receberam advertências,
reprovações, conselhos a instruções, em assuntos de nenhum modo
relativos à outorga das Escrituras. E faz-se menção de profetas de
épocas várias, de cujos discursos nada há registrado. Semelhantemente,
após a conclusão do cânon das Escrituras, o Espírito Santo deveria
ainda continuar a Sua obra, esclarecendo, advertindo e confortando os
filhos de Deus.
Jesus Cristo prometeu a Seus discípulos: "Quando vier
aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; . . . e
vos anunciará o que há de vir." S. João 16:13. As Escrituras claramente
ensinam que estas promessas, longe de se limitarem aos dias
apostólicos, se estendem à igreja de Cristo em todos os séculos. O
Salvador afirma a Seus seguidores: "Estou convosco todos os dias, até à
consumação dos séculos." S. Mateus 28:20. E S. Paulo declara que os
dons a manifestações do Espírito foram postos na igreja para "o
aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação
do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, a ao
conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura
completa de Cristo." Efésios 4:12 a 13.
Depois da maravilhosa manifestação do Espírito Santo
no dia de Pentecostes, S. Pedro exortou o povo a arrepender-se e
batizar-se em nome de Cristo, para a remissão de seus pecados; a disse
ele: "E recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz
respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a tantos
quantos Deus nosso Senhor chamar." Atos 2:38 a 39.
Em imediata relação com as cenas do grande dia de
Deus, o Senhor, pelo profeta Joel, prometeu uma manifestação especial
de Seu Espírito. (Joel 2:28.) Esta profecia recebeu cumprimento parcial
no derramamento do Espírito, no dia de Pentecostes. Mas atingirá seu
pleno cumprimento na manifestação da graça divina que acompanhará a
obra final do Evangelho.
Mediante a iluminação do Espírito Santo, as cenas do
prolongado conflito entre o bem e o mal foram patenteadas à autora
destas páginas. De quando em quando me foi permitido contemplar a
operação, nas diversas épocas, do grande conflito entre Cristo, o
Príncipe da vida, o Autor de nossa salvação, e Satanás, o príncipe do
mal, o autor do pecado, o primeiro transgressor da santa lei de Deus. A
inimizade de Satanás para com Cristo manifestou-se contra os Seus
seguidores. O mesmo ódio aos princípios da lei de Deus, o mesmo
expediente de engano, em virtude do qual se faz o erro parecer verdade,
pelo qual a lei divina é substituída pelas leis humanas, a os homens
são levados a adorar a criatura em lugar do Criador, podem ser
divisados em toda a história do passado. Os esforços de Satanás para
representar de maneira falsa o caráter de Deus, para fazer com que os
homens nutram um conceito errôneo do Criador, e assim O considerem com
temor a ódio em vez de amor; seu empenho para pôr de parte a lei
divina, levando o povo a julgar-se livre de suas reivindicações a sua
perseguição aos que ousam resistir a seus enganos, têm sido
prosseguidos com persistência em todos os séculos. Podem ser observados
na história dos patriarcas, profetas a apóstolos, mártires a
reformadores.
No grande conflito final, como em todas as eras
anteriores, Satanás empregará os mesmos expedientes, manifestará o
mesmo espírito, a trabalhará para o mesmo fim. Aquilo que foi, será,
com a exceção de que a luta vindoura se assinalará por uma intensidade
terrível, tal como o mundo jamais testemunhou. Os enganos de Satanás
serão mais sutis, seus assaltos mais decididos. Se possível fora,
transviaria os escolhidos. (S. Marcos 13:22.)
A medida que o Espírito de Deus me is revelando à
mente as grandes verdades de Sua Palavra, a as cenas do passado e do
futuro, era-me ordenado tornar conhecido a outros o que assim fora
revelado delineando a história do conflito nas eras passadas, a
especialmente apresentando-a de tal maneira a lançar luz sobre a luta
do futuro, em rápida aproximação. Na prossecução deste propósito,
esforcei-me por selecionar a agrupar fatos da história da igreja de tal
maneira a esboçar o desdobramento das grandes verdades probantes que em
diferentes períodos foram dadas ao mundo, as quaffs excitaram a ira de
Satanás e a inimizade de uma igreja que ama o mundo, verdades que têm
sido mantidas pelo testemunho dos que "não amaram suas vidas até à
morte."
Nestes relatos podemos ver uma prefiguração do
conflito perante nós. Olhando-os à luz da Palavra de Deus, a pela
iluminação de Seu Espírito, podemos ver a descoberto os ardis do
maligno a os perigos que deverão evitar os que serão achados
"irrepreensíveis" diante do Senhor em Sua vinda.
Os grandes acontecimentos que assinalaram o progresso
da Reforma nas épocas passadas, constituem assunto da História,
bastante conhecidos a universalmente reconhecidos pelo mundo
protestante; são fatos que ninguém pode negar. Esta história
apresentei-a de maneira breve, de acordo com o escopo deste livro a com
a brevidade que necessariamente deveria ser observada, havendo os fatos
sido condensados no menor espaço compatível com sua devida compreensão.
Fm alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a
proporcionar, em breve, urea visão compreensiva do assunto, ou resumiu
convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas
textualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto
como as transcrições não são feitas com o propósito de citar aquele
escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma
apresentação do assunto, pronta a positiva. Narrando a experiência a
perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio
tempo, fez-se use semelhante de suas obras publicadas.
O objetivo deste livro não consiste tanto em
apresentar novas verdades concernentes às lutas dos tempos anteriores,
como em aduzir fatos a princípios que têm sua relação com os
acontecimentos vindouros. Contudo, encarados como uma parte do conflito
entre as forças da luz a das trevas, vê-se que todos esses relatos do
passado têm nova significação; a por meio deles projeta-se uma luz no
futuro, iluminando a senda daqueles que, semelhantes aos reformadores
dos séculos passados, serão chamados, mesmo com perigo de todos os bens
terrestres, para testificar "da Palavra de Deus, a do testemunho de
,Jesus Cristo."
Desdobrar as cenas do grande conflito entre a verdade
e o erro; revelar os ardis de Satanás a os meios por que the podemos
opor eficaz resistência; apresentar uma solução satisfatória do grande
problema do mal, derramando luz sobre a origem e a disposição final do
pecado, de tal maneira a manifestar-se plenamente a justiça a
benevolência de Deus em todo o Seu trato com Suas criaturas; e mostrar
a natureza santa, imutável de Sua lei - eis o objetivo deste livro. Que
mediante sua influência almas se possam libertar do poder das trevas, a
tornar-se participantes "da herança dos santos na luz," para louvor
dAquele que nos amou a Se deu a Si mesmo por nós, é a fervorosa oração
da autora. E.G. W.
CAPÍTULO 1
Predito o Destino do Mundo
“Ah! se to conhecesses também, ao menos neste tea
die, o que à tua pay pertence! mas agora into está encoberto aos teas
olhos. Porque dies virão sobre ti, em que os teas inimigos to cercarão
de trincheiras, a to sitiarão, a to estreitarão de todas as bandas; a
to derribarão, a ti a aos teas filhos que dentro de ti estiverem; a não
deixarão em ti padre sobre padre, pois qua não conheceste o tempo da
tua visitação." S. Lucas 19:42-44.
Do cimo do monte das Oliveiras Jesus olhava sobre
Jerusalém. Lindo a calmo era o cenário qua diante dEle se desdobrava.
Era o tempo da Páscoa, a de todas as terms os filhos de Jacó se haviam
ali reunido pare celebrar a grande festa nacional. Em meio de hortos a
vinhedos, a declives verdejantes juncados das tendas dos peregrinos,
erguiam-se as colinas terraplenadas, os majestosos palácios a os
maciços baluartes da capital de Israel. A filha de Sião parecia diner
em sea orgulho: "Estou assentada como rainha, a não . . . verei o
pranto," sendo ela tão formosa então a julgando-se tão segura do favor
do Céu como quando, séculos antes, o trovador real cantara: "Formoso de
sítio, a alegria de toda a Terra é o monte de Sião . . . a cidade do
grande Rei." Salmo 48:2. Bem à vista estavam os magnificentes edifícios
do templo. Os rains do Sol poente iluminavam a brancura de nave de sues
parades de mármore a punham reflexos no portal de ouro, na torre a
pináculo. Qual "perfeição da formosura," levantava-se ale como O
orgulho da naçâo judaica. Que filho de Israel poderia contemplar aquele
cenário sem um estremecimento de alegria a admiração? Entretanto,
pensamentos muito diversos ocupavam a mente de Jesus. "Quando is
chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela." S. Lucas 19:41. Por entre
o universal regozijo de Sua entrada triunfal, enquanto se agitavam
ramos de palmeiras, enquanto alegres hosanas despertavam ecos nas
colinas, a milhares de oozes O aclamavam Rei, o Redentor do mundo
achava-Se oprimido por súbita a misteriosa tristeza. Ele, o Filho de
Deus, o Prometido de Israel, cujo poder vencera a morte a do túmulo
chamara a seus cativos, estava em pranto, não em conseqüência de uma
mágoa comum, senão de agonia intensa, irreprimível.
Suas lágrimas não eram por Si mesmo, posto que bem
soubesse para onde Seus passos O levariam. Diante dEle jazia o
Getsêmani, cenário de Sua próxima agonia. Estava também à vista a Aorta
das ovelhas, através da qual durante séculos tinham sido conduzidas as
vítimas para o sacrifício, a que se Lhe deveria abrir quando fosse
"como um cordeiro" "levado ao matadouro." Isaías 53:'7. Não muito
distante estava o Calvário, o local da crucifixão. Sobre o caminho que
Cristo logo deveria trilhar, cairia o terror de grandes trevas ao fazer
Ele de Sua alma uma oferta pelo pecado. Todavia, não era a contemplação
destas cenas que lançava sobre Ele aquela sombra, em tal hors de
alegria. Nenhum presságio de Sua própria angústia sobre-humana nublava
aquele espírito abnegado. Chorava pela sorte dos milhares de Jerusalém
- por causa da cegueira a impenitência daqueles que Ele viera abençoar
a salvar.
A história de mais de mil anos do favor especial de
Deus e de Seu cuidado protetor manifestos ao povo escolhido, estava
patente aos olhos de Jesus. Ali estava o monte Moriá, onde o filho da
promessa, como vítima submissa, havia sido ligado ao altar - emblema da
oferenda do Filho de Deus. (Gênesis 22: 9.) Ali, o concerto de bênçãos
e a gloriosa promessa messiânica tinham sido confirmados ao pai dos
crentes (Gênesis 22:16-18). Ali as chamas do sacrifício, ascendendo dá
eira de Ornã para o céu, haviam desviado a espada do anjo destruidor (1
Crônicas 21) - símbolo apropriado do sacrifício a mediação do Salvador
em prol do homem culpado. Jerusalém fora honrada por Deus acima de toda
a Terra. Sião fora eleita pelo Senhor, que a desejara "para Sua
habitação" (Salmo 132:13). Ali, durante séculos. santos profetas haviam
proferido mensagens de advertência. Sacerdotes ali haviam agitado os
turíbulos, e a nuvem de incenso, com as orações dos adoradores, subira
perante Deus. Ali, diariamente, se oferecera o sangue dos cordeiros
mortos, apontando para o vindouro Cordeiro de Deus. Ali, Jeová revelara
Sua presença na nuvem de glória, sobre o propiciatório. Repousara ali a
base daquela escada mística, ligando a Terra ao Céu (Gênesis 28:12; S.
João 1:51) – escada pela qual os anjos de Deus desciam a subiam, a que
abria ao mundo o caminho para o lugar santíssimo. I-Iouvesse Israel,
como nação, preservado a aliança com o Céu, Jerusalém teria permanecido
para sempre como a eleita de Deus (Jeremias 17:21-25). Mas a história
daquele povo favorecido foi um registro de apostasias a rebelião.
Haviam resistido à graça do Céu, abusado de sews privilégios e
menosprezado as oportunidades.
Posto que Israel tivesse zombado dos mensageiros de
Deus, desprezado Suas palavras a perseguido Seus profetas (2 Crônicas
36:16), Ele ainda Se lhes manifestara como "o Senhor, Deus
misericordioso a piedoso, tardio em iras a grande em beneficência a
verdade" (Exodo 34:6); apesar das repetidas rejeições, Sua misericórdia
continuou a interceder. Com mais enternecido amor que o de pai pelo
filho de seus cuidados, Deus lhes havia enviado "Sua palavra pelos Seus
mensageiros, madrugando, a enviando-lhos; porque Se compadeceu de Seu
povo a da Sua habitação." 2 Crônicas 36:15. Quando admoestações, rogos
a censuras haviam falhado, enviou-lhes o melhor dom do Céu, mais ainda,
derramou todo o Céu naquele único dom.
O próprio Filho de Deus foi enviado para instar com a
cidade impenitente. Foi Cristo que trouxe Israel, como uma boa vinha,
do Egito (Salmo 80: 8). Sua própria mão havia lançado fora os gentios
de diante deles. Plantou-a "em um outeiro fértil". Seu protetor cuidado
cercara-a em redor. Enviou Seus servos para cultivá-la. "Que mais se
podia fazer à Minha vinha," exclama Ele, "que Eu the não tenha feito?"
Posto que quando Ele esperou que "desse uvas, veio a produzir uvas
braves" (Isaías 5:1-4), ainda com esperança compassiva de encontrar
frutos, veio em pessoa à Sua vinha, pare que porventura pudesse ser
salve da destruiçâo. Cavou em redor dela, podou-a a protegeu-a. Foi
incansável em Seus esforços pare salver esta vinha que Ele próprio
plantara.
Durante três anos o Senhor da luz a glória entrara a
saíra por entre o Seu povo. Ele "andou fazendo o bem, a curando a todos
os oprimidos do diabo" (Atos 10:38), aliviando os quebrantados de
coração, pondo em liberdade os que se achavam presos, restaurando a
vista aos cegos, fazendo andar aos coxos a ouvir aos surdos,
purificando os leprosos, ressuscitando os mortos e pregando o evangelho
aos pobres (S. Lucas 4:18; S. Mateus 11: 5). A todas estas classes
igualmente foi dirigido o gracioso convite: "Vinde a Mim, todos os que
estais cansados a oprimidos, e Eu vos aliviarei." S. Mateus 11:28.
Conquanto Lhe fosse recompensado o bem com o mal e o
Seu amor com o ódio (Salmo 109:5), Ele prosseguiu firmemente em Sua
missão de misericórdia. jamais eram repelidos os que buscavam a Sua
graça. Como viandante sem lar, tendo a ignomínia e a penúria como
porção diária, viveu Ele pare ministrar às necessidades a abrandar as
desgraças humanas, pare insistir com os homens a aceitarem o dom da
vide. As ondas de misericórdia, rebatidas por aqueles corações
obstinados, retornavam em uma vaga mais forte de terno a inexprimível
amor. Mas Israel se desviara de Seu melhor Amigo a único Auxiliador. Os
rogos de Seu amor haviam silo desprezados, Seus conselhos repelidos,
ridicularizadas Suas advertências.
A hora de esperança a perdão passava-se rapidamente;
a taça da ire de Zeus, por Canto tempo adiada, estava quase cheia. As
nuvens que haviam estado a acumular-se durante séculos de apostasia a
rebelião, ore enegrecidas de calamidades, estavam presses a desabar
sobre um povo criminoso; a Aquele que unicamente os poderia salver da
condenaçào iminente, fore menosprezado, injuriado, rejeitado a seria
logo crucificado. Quando Cristo estivesse suspenso da cruz do Calvário,
teria terminado o tempo de Israel como nação favorecida a abençoada por
Deus. A perda de uma alma qua seja é calamidade infinitamente maior qua
os proveitos a tesouros de todo um mundo; entretanto, quando Cristo
olhava sobre Jerusalém, achava-se perante Ele a condenação de uma
cidade inteira, de toda uma nação - sim, aquela cidade a nação qua
foram as escolhidas de Deus, Seu tesouro peculiar.
Profetas haviam chorado a apostasia de Israel, a as
terríveis desolações qua seus pecados atraíram. Jeremias desejava qua
seus olhos fossem uma fonte de lágrimas, pare qua pudesse chorar die a
noite pelos mortos da filha de seu povo, Palo rebanho do Senhor qua
fore levado em cativeiro (Jeremias 9:1; 13:17). Qual não era, pois, a
dor dAquele cujo olhar profético abrangia não os anos mas os séculos!
Contemplava Ele o anjo destruidor com a espada levantada contra a
cidade qua durante tanto tempo fore a morada de Jeová. Do curve do
monte das Oliveiras, no mesmo ponto mais tarde ocupado por Tito e seu
exército, olhava Ele através do vale pare os pátios a pórticos
sagrados, e, com a vista obscurecida pales lágrimas, via em terrível
perspective, os muros rodeados de hostes estrangeiras. Ouvia o tropel
de exércitos dispondo-se pare a guerre. Distinguia as oozes de mães a
crianças qua, na cidade sitiada, bradavam pedindo pão. Via entregues às
dramas o santo a halo templo, os palácios a tomes, a no lugar em qua
ales se erigiam, apenas um monte de ruínas fumegantes.
Olhando através dos séculos futuros, via o povo do
concerto espalhado em todos os países, semelhantes aos destroços de um
naufrágio em Praia deserta. Nos castigos prestes a cair sobre Seus
filhos, não via Ele senão o primeiro sorvo daquela taça de ira que no
juízo final deveriam esgotar até às fazes. A piedade divine, o terno
amor encontraram expressão nestas melancólicas palavras: " Jerusalém,
Jerusalém, qua mates os profetas, a apedrejas os qua to são enviados!
quantas vezes quis Eu ajuntar os tens fiIhos, como a galinha ajunta os
seus pintos debaixo das asas, a to não quiseste!" S. Mateus .23:3i .
Oh, se houveras conhecido, como nação favorecida acima de todas as
outras, o tempo de tua visitação a as coisas qua pertencem à tua Paz!
Tenho contido o anjo da justiça, tenho-te convidado ao arrependimento,
mss em vão. Não é meramente a servos, enviados e profetas que tens
repelido a rejeitado, mss ao Santo de Israel, teu Redentor. Se és
destruída, to unicamente és. a responsável. "E não quereis vir a Mim
pare terdes villa." S. João 5:40.
Cristo viu em Jerusalém um símbolo do mundo
endurecido na incredulidade a rebelião, a apressando-se ao encontro dos
juízos retribuidores de Deus. As desgraças de uma raça decaída,
oprimindo-Lhe a alma, arrancavam de Seus lábios aquele clamor
extremamente amargurado. Viu a história do pecado traçada pelas
misérias, lágrimas a sangue humanos; o coração moveu-selhe de infinite
compaixão pelos aflitos a sofredores da Terra; angustiava-Se por
aliviar a todos. Contudo, mesmo a Sua mão não poderia demover a onda
das desgraças humanas; poucos procurariam a única fonte de auxilio. Ele
estava disposto a derramar a alma na morte, a fim de colocar a salvação
ao seu alcance; poucos, porém, viriam a Ele pare que pudessem ter
villa.
A Majestade dos Céus em pranto o Filho do infinito
Deus perturbado em espíruo, curvado em angústia! Esta cena encheu de
espanto o Céu inteiro. Revels-nos a imensa malignidade do pecado;
mostra quão árdua tarefa é, mesmo pare o poder infinito, salver ao
culpado das conseqüências da transgressão da leï de Deus. Jesus,
olhando pare a última geração, viu o mundo envolto em engano semelhante
ao que causou a destruição de Jerusalém. O grande pecado dos judeus foi
rejeitarem a Cristo; o grande pecado do mundo cristão seria rejeitarem
a lei de Deus, fundamento de Seu governo no Céu a na Terra. Os
preceitos de Jeová serum desprezados a anulados. Milhões na servidão do
pecado, escravos de Satanás, condenados a sofrer a segunda morte,
recusar-seiam a escutar as palavras de verdade no die de sue visitação.
Terrível cegueira estranha presunção!
Dois dies antes da Páscoa, quando Cristo pela última
vez Se havia afastado do templo, depois de denunciar a hipocrisia dos
prïncipes judeus, novamente sai corn os discípulos pare o monte das
Oliveiras, a assents-Se com eles no declive relvoso, sobranceiro à
cidade. Mais uma vez contempla seus muros, torres e palácios. Mais urns
vez se Lhe depara o templo em seu deslumbrante esplendor, qual diadems
de beleza a coroar o monte sagrado.
Mil anos antes, o salmista engrandecera o favor de
Deus pats corn Israel fazendo da cars sagrada deste a Sua morada: "Em
Salém está o Seu tabernáculo, e a Sua morada em Sião." Salmo '16:2. Ele
"elegeu a tribo de Judá; o monte de Sião, que Ele amava. E edificou o
Seu santuário como aos lugares elevados." Salmo 78:68 a 69.O primeiro
templo fore erigido durante o período mais próspero da história de
Israel. Grander armazenamentos de tesouros pare este fim haviam sido
acumulados pelo rei Davi e a plants pare a sue construção fore feita
pot inspiração diving. (1 Crônicas 28:12 a 19.) Salomão, o mais sábio
dos monarcas de Israel, completara a obra. Este templo foi o edifício
mais magnificente que o mundo já viu. Contudo o Senhor declarou pelo
profeta Ageu, relativamente ao segundo templo: "A glória desta última
case será maior do que a da primeira." "Farei tremer todas as nações, a
virá o Desejado de todas as nações, a encherei esta case de glória, diz
o Senhor dos exércitos." Ageu 2:9 a 7.
Depois da destruição do templo pot Nabucodonosor, foi
reconstruído aproximadamente quinhentos anos antes do nascimento de
Cristo, pot um povo que, de um longo cativeiro, voltara a um país
devastado a quase deserto. Havia então entre eles homens idosos que
tinham visto a glória do templo de Salomão a que choraram junto aos
alicerces do novo edifício porque devesse set tão inferior ao
antecedente. O sentimento que prevalecia é vividamente descrito pelo
profeta: "Quern há entre vós que, tendo ficado, viu esta case na sue
primeira glória? e como a vedes agora? não é esta como nada em vossos
olhos, comparada corn aquela?" Ageu 2:3; Esdras 3:12. Então foi feita a
promessa de que a glória desta última case seria maior do que a da
anterior.
Mas o segundo templo não igualou o primeiro em
magnificência; tampauco foi consagrado pelos visíveis sinais da
presença diving que o primeiro tivera. Não houve manifestação de poder
sobrenatural pare assinalar sue dedicação. Nenhuma nuvem de glória foi
vista a encher o santuário recém-erigido. Nenhum fogo do Céu desceu
para consumir o sacrifício sobre o altar. O "shekinah" não mais
habitava entre os querubins no lugar santíssimo; a arcs, o
propiciatório, as tábuas do testemunho não mais deviam encontrar-se
ali. Nenhuma voz ecoava do Céu para tornar conhecida ao sacerdote
inquiridor a vontade de Jeová.
Durante séculos os judeus debalde se haviam esforçado
por mostrar que a promessa de Deus feita por Ageu se cumprira;
entretanto, o orgulho e a incredulidade lhes cegavam a mente ao
verdadeiro sentido das palavras do profeta. O segundo templo não foi
honrado corn a nuvem de glória de Jeová, mss corn a presença viva
dAquele em quern habits corporalmente a plenitude da divindade - que
foi o próprio Deus manifesto em carne. O "Desejado das nações" havia em
verdade chegado a Seu templo quando o Homem de Nazaré ensinava a curava
nos pátios sagrados. Corn a presença de Cristo, a corn ela somente, o
segundo templo excedeu o primeiro em glória. Mas Israel afastara de si
o Dom do Céu, que the era oferecido. Corn o humilde Mestre que naquele
dia saíra de seu portal de ouro, a glória para sempre se retirara do
templo. Já eram cumpridas as palavras do Salvador: "Eis que a vossa
casa vai ficar-vos deserts." S. Mateus 23:38.
Os discípulos ficaram cheios de espanto a admiração
ante a profecia de Cristo acerca da subversão do templo, a desejavam
compreender melhor o significado de Suas palavras. Riquezas, trabalhos
a perícia arquitetônica haviam durante mais de quarenta anos sido
liberalmente expedidos para salientar os seus esplendores. Herodes, o
Grande, nele empregara prodigamente tanto riquezas romanas como
tesouros judeus, a mesmo o imperador do mundo o tinha enriquecido corn
seus dons. Blocos maciços de mármore branco, de tamanho quase fabuloso,
provenientes de Roma para este fim, formavam parte de sua estrutura; a
para eles chamaram os discípulos a atenção do Mestre, dizendo: "Olha
que pedras, a que edifícios!" S. Marcos 13:1.
A estas palavras deu Jesus a solene a surpreendente
resposta: "Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra
que não seja derribada." S. Mateus 24:2.
Corn a subversão de Jerusalém os discípulos
associaram os fatos da vinda pessoal de Cristo em glória temporal a fim
de assumir o trono do império do Universo, castigar os judeus
impenitentes a libertar a nação do jugo romano. O Senhor Ihes dissera
que viria a segunda vez. Daí, corn a menção dos juízos sobre Jerusalém,
volveram o pensamento para aquela vinda; e, como estivessem reunidos em
torno do Salvador sobre o monte das Oliveiras, perguntaram: "Quando
serão essas coisas, a que sinal haverá da Tua vinda a do fim do mundo?"
S. Mateus 24:3.
O futuro estava misericordiosamente velado aos
discípulos. Houvessem eles naquela ocasião compreendido perfeitamente
os doffs terríveis fatos - os sofrimentos a morte do Redentor, e a
destruição de sua cidade a templo - teriam sido dominados pelo terror.
Cristo apresentou diante deles um esboço dos acontecimentos
preeminentes a ocorrerem antes do final do tempo. Suas palavras não
foram então completamente entendidas; mas a significação serlhes-is
revelada quando Seu povo necessitasse da instrução nelas dada. A
profecia que Ele proferiu era dupla em seu sentido: ao mesmo tempo em
que prefigurava a destruição de Jerusalém, representava igualmente os
terrores do último grande dia.
Jesus declarou aos discípulos que O escutavam, os
juízos que deveriam cair sobre o apóstata Israel, a especialmente o
castigo retribuidor que the sobreviria por sua rejeição a crucifixão do
Messias. Sinais inequívocos precederiam a terrível culminação. A hora
temida viria súbita a celeremente. E o Salvador advertiu a Seus
seguidores: "Quando pois virdes que a abominação da desolação, de que
falou o profeta Daniel, está no lugar Santo (quern lê, atenda), então
os que estiverem na Judéia fujam para os montes." S. Mateus 24:15 a 16;
S. Lucas 21:20. Quando os estandartes idolátricos dos romanos fossem
arvorados em terra santa, a qual se estendia por alguns estádios fora
dos muros da cidade, então os seguidores de Cristo deveriam achar
segurança na fuga. Quando Posse visto o sinal de aviso, os que
desejavam escapar não deveriam demorar-se. Por toda a terra da Judéia,
bem como em Jerusalém mesmo, o sinal pare a fuga deveria ser
imediatamente obedecido. Aquele que acaso estivesse no telhado, não
deveria descer à case, mesmo pare salver os tesouros mais valiosos. Os
que estivessem trabalhando nos cameos ou nos vinhedos, não deveriam
tomar tempo pare voltar a fim de apanhar a roupa exterior, posts de
Iado enquanto estavam a labutar no calor do die. Não deveriam hesitar
um instante, pare qua não fossem apanhados pale destruição geral.
No reinado de Herodes, Jerusalém não só havia sido
grandemente embelezada, mss, pale ereção de torres, muralhas a
fortalezas, em acréscimo à força natural de sue posição, tornara-se
aparentemente inexpugnável. Aquele qua nesse tempo houvesse
publicamente predito sue destruição, teria sido chamado, como Noé em
sue época, doido alarmists. Mas Cristo dissera: "O céu a a Terra
passarão, mss as Minhas palavras não hão de passer." S. Mateus 24:35.
Por cause de seus pecados, foi anunciada a ire contra Jerusalém, a sue
pertinaz incredulidade seloulhe a some.
O Senhor tinha declarado pelo profeta Miquéias: "Ouvi
agora isto, vós, chafes da case de Jacó, a vós, maiorais da case de
Israel, qua abominais o juízo a perverteis tudo o qua é direito,
edificando a Sião com sangue, e a Jerusalém com injustiça. Os sews
chafes dão as sentenças por presentes, a os seus sacerdotes ensinam por
interesse, a os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se
encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? nenhum
mal nos sobrevirá." Miquéias 3:9-11.
Estas palavras descreviam fielmente os habitantes de
Jerusalém, corruptos a possuídos de justiça própria. Pretendendo embora
observer rigidamente os preceitos da lei de Deus, estavam transgredindo
todos os seus princípios. Odiavam a Cristo porque a Sua pureza a
santidade lhes revelavam a iniqüidade própria; a acusavam-no de ser a
cause de todas as angústias qua lhes tinham sobrevindo em conseqüência
de seus pecados. Posto qua soubessem não tar Ele pecado, declararam qua
Sua morte era necessária pare a segurança dales como nação. "Se O
deixarmos assim," disseram os chafes dos judeus, "todos crerão nEle, a
virão os romanos, a titer-nos-ão o nosso lugar e a nação." S. João
11:48. Se Cristo fosse sacrificado, eles poderiam uma vez mais se
tornar um povo forte, unido. Assim raciocinavam, e concordavam tom a
decisão de seu sumo sacerdote de que seria melhor morrer um homem do
que perecer toda a nação.
Assim os dirigentes judeus edificaram a "Sião tom
sangue, e a Jerusalém tom injustiça." E além disso, ao mesmo tempo em
que mataram seu Salvador porque Ihes reprovava os pecados, tal era a
sue justiça própria que se consideravam como o povo favorecido de Deus,
a esperavam que o Senhor os livrasse dos inimigos. "Portanto,"
continuou o profeta, "pot cause de vós, Sião será lavrada como um
tempo, a Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta
case em lugares altos dum bosque." Miquéias 3:12.
Durante quase quarenta anos depois que a condenação
de Jerusalém fore pronunciada pot Cristo mesmo, retardou o Senhor os
Seus juízos sobre a cidade a nação. Maravilhosa foi a longanimidade de
Deus pare tom os que Lhe rejeitaram o evangelho a assassinaram o Filho.
A parábola da árvore infrutífera representava o trato de Deus pare tom
a nação judaica. Fore dada a ordem: "Cotta-a; pot que ocupa ainda a
terra inutilmente?" S. Lucas 13:7. Mas a misericórdia diving poupara-a
ainda um pouco de tempo. Muitos havia ainda entre os judeus que eram
ignorantes quanto ao caráter a obra de Cristo. E os filhos não haviam
gozado das oportunidades nem recebido a luz que seus pals tinham
desprezado. Mediante a pregação dos apóstolos e de seus cooperadores,
Deus faria tom que a luz resplandecesse sobre eles; set-lhes-is
permitido vet como a profecia se cumprira, não somente no nascimento a
vide de Cristo, mas também em Sua morte a ressurreição. Os filhos não
foram condenados pelos pecados dos pais; quando, porém, conhecedores de
toda a luz dada a seus pais, os filhos rejeitaram mesmo a que lhes fore
concedida a mais, tornaram-se participantes dos pecados daqueles e
encheram a medida de sue iniqüidade.
A longanimidade de Deus pare tom Jerusalém apenas
confirmou os judeus em sue obstinada impenitência. Em seu ódio e
crueldade pare tom os discípulos de Jesus, rejeitaram o último
oferecimento de misericórdia. Afastou Deus então deles a proteção,
retirando o poder corn que restringia a Satanás a seus anjos, de
maneira que a naçào ficou sob o controle do chefe que haviam escolhido.
Seus filhos tinham desdenhado a graça de Cristo, que os teria
habilitado a subjugar seus mans impulsos, a agora estes se tornaram os
vencedores. Satanás suscitou as mais violentas a vis paixões da alma.
Os homens não raciocinavam; achavam-se furs da razào, dirigidos pelo
impulso a cega raiva. Tornaram-se satânicos em sua crueldade. Na
família e na sociedade, entre as mais altas como entre as mais baixas
classes, havia suspeita, inveja, ódio, contends, rebelião, assassínio.
Não havia segurança em pane alguma. Amigos a parentes traíam-se
mutuamente. Pais matavam aos filhos, a filhos aos pais. Os príncipes do
povo nâo tinham poder para governarse. Desenfreadas paixões faziam-nos
tiranos. Os judeus haviam aceitado falso testemunho para condenar o
inocente Filho de Deus. Agora as falsas acusações tornavam insegura sua
proAria vida. Pelas suss ações durante muito tempo tinham estado a
diner: "Fazei que deixe de estar o Santo de Israel perante nós." Isaías
30:11. Agora seu desejo foi satisfeito. O terror de Deus não mail os
perturbaria. Satanás estava à frente da nação a as mais altas
autoridades civis a religiosas estavam sob o seu domínio.
Os chefes das facções oponentes por vezes se uniam
para saquear a torturar suss desgraçadas vítimas, a novamente caíam
sobre as forças uns dos outros, fazendo impiedosa matança. Mesmo a
santidade do templo não lhes refreava a horrível ferocidade. Os
adoradores eram assassinados diante do altar, e o santuário
contaminava-se cum corpus de mortos. No entanto, em sua cega a blasfema
presunção, os instigadores fiesta obra infernal publicamente declaravam
que não tinham receio de que Jerusalém fosse destruída, pois era a
própria cidade de Deus. A fim de estabelecer mail firmemente seu poder,
subornaram profetas falsos para proclamar, mesmo enquanto as legiões
romanas estavam sitiando o templo, que o povo devia aguardar o
livramento de Deus. Afinal, as multidões apegaramse firmemente à crença
de que o Altíssimo interviria para a derrote de seus adversários.
Israel, porém, havia desdenhado a proteção diving, a agora não tinha
defesa. Infeliz Jerusalém! despedaçada pot dissensães intestines, com o
sangue de seus filhos, mottos pelas mãos uns de outros, a tingir de
carmesim suss rugs, enquanto hostis exércitos estrangeiros derribavam
sues fortificações a lhes matavam os homens de guerre!
Todas as predições feitas pot Cristo relatives à
destruição de Jerusalém cumpriram-se à tetra. Os judeus experimentaram
a verdade de Suas palavras de advertência: "Com a medida com que
tiverdes medido, vos hão de medir a vós." S. Mateus 7:2.
Apareceram sinais a prodígios, prenunciando desastre
a condenação. Ao meio da noite, uma luz sobrenatural resplandeceu sobre
o templo e o altar. Sobre as nuvens, ao pôr do Sol, desenhavam-se
carros a homens de guerre reunindo-se pare a bataIha. Os sacerdotes que
ministravam à noite no santuário, aterrorizavam-se com sons
misteriosos; a terra tremia a ouvia-se multidão de oozes a clamar:
"Partamos daqui!" A grande ports oriental, tão pesada que dificilmente
podia set fechada pot uns vinte homens, a que se achava segura pot
imensas barras de ferro fixes profundamente no pavimento de pedra
sólida, abriuse à meia-noite, independence de qualquer agente visível.—
História dos Judeus, de Milman, livro 13.
Durante sete anos um homem esteve a subir a descer as
rugs de Jerusalém, declarando as desgraças que deveriam sobrevir à
cidade. De dig a de noite cantava ele funebremente: "Uma voz do
Oriente, uma voz do Ocidente, uma voz dos quatro ventos! uma voz contra
Jerusalém a contra o templo! uma voz contra os noivos a as noivas! uma
voz contra o povo!" - Ibidem. Este set estranho foi preso a açoitado,
mss nenhuma queixa the escapou dos lábios. Aos insultos a maus tratos
respondia somente: "Ai! ai de Jerusalém!" "Ai! ai dos habitantes dela!"
Seu clamor de aviso não cessou senão quando foi motto no cerco que
havia predito.
Nenhum cristão pereceu na destruição de Jerusalém.
Cristo fizera a Seus discípulos o aviso, a todos os que creram em Suas
palavras aguardaram o sinal prometido. "Quando virdes Jerusalém cercada
de exércitos," disse Jesus, "sabei que é chegada a sue desolação.
Então, os que estiverem na Judéia, fujam pare os montes; os que
estiverem no meio da cidade, saiam." S. Lucas 21:20 a 21. Depois que os
romanos, sob Céstio, cercaram a cidade, inesperadamente abandonaram o
cerco quando tudo parecia favorável a um ataque imediato. Os sitiados,
perdendo a esperança de poder resistir, estavam a ponto de se entregar,
quando o general romano retirou sues forças sem a minima razão
aparente. Entretanto, a misericordiosa providência de Deus estava
dirigindo os acontecimentos pare o bem de Seu próprio povo. O sinal
prometido fore dado aos cristãos expectantes, a agora se proporcionou a
todos oportunidade pare obedecer ao aviso do Salvador. Os
acontecimentos foram encaminhados de tal maneira que nem judeus nem
romanos impediriam a fuga dos cristãos. Com a retirada de Céstio, os
judeus, fazendo uma surtfda de Jerusalém, foram ao encalço de seu
exército que se afastava; e, enquanto ambas as forças estavam assim
completamente empenhadas em lute, os cristãos tiveram ensejo de deixar
a cidade. Nesta ocasião o território também se havia desembaraçado de
inimigos que poderiam ter-se esforçado pare lhes interceptar a
passagem. Na ocasião do cerco os judeus estavam reunidos em Jerusalém
pare celebrar a festa dos Tabernáculos, a assim os cristãos em todo o
país puderam escapar sera ser molestados. Imediatamente fugiram pare um
lager de segurança - a cidade de Pela, na terra de Peréia, além do
Jordão:
As forças judaicas, perseguindo a Céstio a sea
exército, caíram sobre sue retaguarda com tal ferocidade que o
ameaçaram de destruição total. Foi com grande dificuldade que os
romanos conseguiram efetuar a retirada. Os judeus escaparam quase sem
perdas, a com sews despojos voltaram em triunfo pare Jerusalém. No
entanto este êxito aparente apenas lhes acarretou males. Inspirou-lhes
aquele espírito de pertinaz resistência aos romanos, que celeremente
trouxe indescritível desgraça sobre a cidade sentenciada.
Terríveis foram as calamidades que caíram sobre
Jerusalém quando o cerco foi reassumido por Tito. A cidade foi
assaltada na ocasião da Páscoa, quando milhões de judeus estavam
reunidos dentro de seus muros. Sues provisões de víveres, qua a serem
cuidadosamente preservadas teriam suprido os habitantes durante anos,
tinham sido previamente destruídas pale rivalidade a vingança das
facções contendoras, a agora experimentaram todos os horrores da morte
à force. Uma medida de trigo era vendida por um talento. Tão atrozes
eram os transes da force qua homens roíam o couro de seus cinturões a
sandálias, e a cobertura de seus escudos. Numerosas pessoas saíam da
cidade à noite, furtivamente, pare apanhar plantas silvestres qua
cresciam fore dos muros da cidade, se bem qua muitos fossem agarrados a
mortos com severas tortures; a muitas vezes os qua voltavam em
segurança eram roubados naquilo qua haviam rebuscado corn tão grande
perigo. As mais desumanas tortures eram infligidas pelos qua se achavam
no poder, a fim de extorquir do povo atingido pale necessidade os
últimos a escassos suprimentos qua poderiam tar escondido. E tais
crueldades eram freqüentemente praticadas por homens qua se achavam,
aliás, barn alimentados, a qua simplesmente estavam desejosos de
acumular urn depósito de provisões pare o futuro.
Milhares pereceram pale Tome a pale paste. A afeição
natural parecia tar-se destruído. Maridos roubavam de sue esposa, e
esposas de seu marido. Viam-se filhos arrebatar o alïmento da boca de
seus pais idosos. A pergunta do profeta: "Pode uma mulher esquecer-se
tanto de seu filho qua cria?" (Isaías 49:15) recebeu dentro dos muros
da cidade condenada, a resposta: "As mãos das mulheres piedosas cozeram
os próprios filhos; serviram-lhes de alimento na destruição da filha de
Meu povo." Lamentações 4:10. Novamente se cumpriu a profecia de aviso,
dada catorze séculos antes: "E quanto à mulher mais mimosa a delicada
entre ti, qua de mimo a delicadeza nunca tentou pôr a plants de seu pé
sobre a terra, será maligno o seu olho contra o homem de seu regaço, a
contra seu filho, a contra sue filha; . . . e por cause de seus filhos
qua fiver; porque os comerá às escondidas pale felts de tudo, no cerco
a no aperto corn qua o teu inimigo to apertará nas tugs Aortas."
Deuteronômio 28:56 a 57.
Os chafes romanos esforçaram-se por infundir terror
aos judeus, a assim fazê-los render-se. Os prisioneiros qua resistiam
ao cair presos, eram açoitados, torturados a crucificados diante do
muro da cidade. Centenas eram diariamente mortos desta maneira, a essa
horrível obra prolongou-se até que ao longo do vale de Josafá a no
Calvário se erigiram cruzes em tão grande número que mal havia espaço
pare mover-se entre elas. De tão terrível maneira foi castigada aquela
espantosa imprecação proferida perante o tribunal de Pilatos: "O Seu
sangue caia sobre nós a sobre nossos filhos." S. Mateus 27:25.
Tito, de boa vontade, teria posto termo à terrível
cena, poupando assim a Jerusalém da medida complete de sue condenação.
EIe se enchia de terror ao ver os corpos jazendo aos montes nos vales.
Como alguém que estivesse em êxtase, olhava ele do cimo do Monte das
Oliveiras ao templo magnificente, e deu ordem pare qua nenhuma de sues
padres Posse tocada. Antes de tentar ganhar posse desta fortaleza, fez
ardente apelo aos chafes judeus pare não o forçarem a profaner com
sangue o lugar sagrado. Se saíssem a combatessem em outro local, nenhum
romano violaria a santidade do templo. O próprio Josefo, com apelo
eloqüentíssimo, suplicou qua se rendessem, pare se salvarem a si, a sue
cidade a seu lugar de culto. Sues palavras, porém, foram respondidas
com pragas emerges. Lançaram-se dardos contra ale, qua era seu último
mediador humano, enquanto persistia em instar com ales. Os judeus
haviam rejeitado os rogos do Filho de Deus a agora as advertências a
rogos apenas os tornavam mail decididos a resistir até o último ponto.
Baldados foram os esforços de Tito pare salver o templo; AIguém, maior
do qua ale, declarara qua não fìcaria padre sobre padre.
A cage obstinação dos chafes dos judeus a os
abomináveis crimes perpetrados dentro da cidade sitiada, excitaram o
horror e a indignação dos romanos, a Tïto finalmente se decidiu a tomar
o templo de assalto. Resolveu, contudo, qua, sendo possível, deveria o
mesmo ser salvo da destruição. Mas sues ordens foram desatendidas.
Depois qua eIe se retirara pare a sue tenda à noite, os judeus, dando
uma surtida do templo, atacaram fore os soldados. Na lute, um soldado
arremessou urn facho através de ulna abertura no pórtico, a
imediatamente as sales revestidas de cedro, em rector da case sagrada,
se acharam em chamas. Tito precipitouse pare o local, seguido de seus
generals e legionários, a ordenou aos soldados qua apagassem as
labaredas. Sues palavras não forarm atendidas. Em sue fúria, os
soldados lançaram tochas ardentes nas sales contínguas ao templo, e
coin a aspects assassinavam em grande número os qua all tinham
procurado refúgio. O sangue corria como água pales escadas do templo
abaixo. Milhares a milhares de judeus pereceram. Acima do ruído da
batalha, ouviam-se oozes bradando: "Icabode!" - foi-se a glória.
"Tito achou impossível caster a fúria da soldadesca;
entrou corn seas oficiais a examinou o interior do edifício sagrado. O
esplendor encheu-os de admiração; e, como as chamas não houvessem ainda
penetrado no lager canto, fez um último esforço pare salvá-lo; e,
apresentando-se-lhes repentinamente, de novo exortou os soldados a
deterem a marcha da conflagração. O centurião Liberalis esforçou-se pot
impor obediência com o sea estado maior; mss o próprio respeito pare
com o imperador cedeu lager à furiosa animosidade contra os judeus, ao
excitamento feroz da batalha, e à esperança insaciável do saque. Os
soldados viam tudo em rector dales resplandecendo de ouro, qua
fulgurava deslumbrantemente à luz sinistra das chamas: supunham qua
incalculáveis tesouros estivessem acumulados no santuário. Urn soldado,
sera set percebido, arrojou uma tocha acesa pot entre os gonzos da
ports: o edifício todo em um momento ficou em chamas. O denso fumo e o
fogo obrigaram os oficiais a retirarse, e o nobre edifício foi
abandonado à sue cotta.
"Era um espetáculo pavoroso aos romanos; a qua saris
ale pare os judeus? Todo o cimo da colina qua dominava a cidade,
chamejava como um vulcão. Urn após outro caíram os edifícios, com
tremendo fragor, a foram absorvidos pelo ígneo abismo. Os tetos de
cedro assemelhavam-se a lençóis de fogo; os pináculos dourados
resplandeciam como pontes de luz vermelha; as tortes-dos portals
enviavam pare circa altas colunas de charm a fumo. As colinas vizinhas
se iluminavam; a grupos obscuros de pessoas foram vistas a observer
corn horrível an siedade a rnarcha da destruição; os muros a pontos
elevados da cidade alts ficaram repletos de rostos, alguns pálidos, com
a agonia do desespero, outros com expressão irada, a ameaçar uma
vingança inútil. As aclamaçóes da soldadesca romana, enquanto corriam
de uma ears outra parte, e o gemido dos insurgentes que estavam
perecendo nas dramas, misturavam-se com o rugido da conflagração e o
rumor trovejante do madeiramento que caía. Os ecos das montanhas
respondiam ou traziam de volts os gritos do povo nos pontos elevados;
ao longo de todo o rnuro ressoavam alaridos a prantos; homens que
estavam a expirar eels force reuniam sue força restante ears proferir
um grito de angústia a desolação.
"O morticínio, do lado de dentro, era até mais
terrível do que o espetáculo visto fore. omens a mulheres, velhos a
moços, insurgentes a sacerdotes, os que combatiam a os que imploravam
rnisericórdia, eram retalhados errs indiscriminada carnificina. O
número de mottos excedeu ao dos matadores. Os legionários tiveram de
trepar sobre os montes de cadáveres pare prosseguir na obra de
extermínio." - hTrstória dos Judeus, de Milman, Iivro 16.
Depois da destruição do templo, a cidade inteira logo
caiu nas mãos dos romanos. Os chefes dos judeus abandonaram as tortes
inexpugnáveis, a Tito as achou desertas. Contemplou-as corn esparto a
declarou que Dues lhas havia entregue em sues mãos; pois engenho algum,
ainda que poderoso, poderia ter prevalecido contra aquelas estupendas
ameias. Tanto a cidade como o templo forum arrasados até aos
fundamentos, e o terreno err que se erguia a case sagrada foi lavrado
como um cameo. (Jeremias 2ô:18.) No cerco a morticínio que se seguiram,
pereceram mail de urn milhão de pessoas; os sobreviventes forum levados
como escravos, como tail vendidos, arrastados a Roma pare abrilhantar a
vitória do vencedor, lançados às fetes nos anfiteatros, ou dispersos
pot toda a Terra como vagabundos Bern lar.
Os judeus haviam forjado seus próprios grilhões; eles
mesmos encheram a taça da vingança. Na destruição complete que lhes
sobreveio como nação, a em todas as desgraças que os acompanharam
depois de dispersos, nào estavam senãc recolhendo a masse qua sues
próprias mãos semearam. Diz o profeta: "Pare tug perda, ó Israel, to
rebelaste contra Mim," "pelos teas pecados tens caído" (Oséias 13:9;
14:1). Seas sofrimentos são muitas vezes representados como sendo
castigo a else infligido por decreto direto da parte de Deus. É assim
qua o grande enganador procure esconder sue própria obra. Pela
obstinada rejeiçào do amor a misericórdia diving, os judeus fizeram
corn qua a proteção de Deus fosse dales retirada, a permitiu-se a
Satanás dirigi-los segundo a sue vontade. As horríveis crueldades
executadas na destruiçào de Jerusalém são uma demonstração do poder
vingador de Satanás sobre os qua se rendem ao sea controls.
Não podemos saber quanto devemos a Cristo pale paz a
proteçáo de qua gozamos. E o poder de Deus qua impede qua a humanidade
passe completamente pare o domínio de Satanás. Os desobedientes a
ingratos têm grande motivo de gratidão pela misericórdia a
longanimidade de Deus, qua contém o cruel e pernicioso poder do
maligno. Quando, porém, os homens passam os limites da clemência
diving, a restrição é removida. Deus não fica em relaçáo ao pecador
como executor da sentença contra a transgressão; mss deixa entregues a
si mesmos os qua rejeitam Sua misericórdia, pare colherem aquilo qua
semearam. Cads raio de luz rejeitado, cads advertência desprezada ou
desatendida, cads paixão contemporizada, cads transgressão da lei de
Deus, é uma semente lançada, a qual produz infalível masse. O Espírito
de Deus, persistentemente resistido, é afinal retirado do pecador, a
entào poder algum permanece pare dominar as más paixões da alma, a
nenhuma proteçáo contra a maldade a inimizade de Satanás. A destruição
de Jerusalém constitui tremenda a solene advertência a todos os qua
estão tratando levianamente com os oferecimentos da graça divine e
resistindo aos rogos da misericórdia de Deus. Jamais foi dado urn
testemunho mais decisivo do ódio ao pecado por parts de Deus, a do
castigo certo qua recairá sobre o culpado.
A profecia do Salvador relative aos juízos qua
deveriam cair sobre Jerusalém há de tar outro cumprimento, do qual
aquela terrível desolação não foi senão tênue sombra. Na some da.
cidade escolhida podemos contemplar a condenação de um mundo que
rejeitou a misericórdia de Deus a calcou a pés a Sua lei. Tenebrosos
são os registros da miséria humana que a Terra tem testemunhado durante
seas longos séculos de crime. Ao contemplá-los confrange-se o coração e
o espíruo desfalece. Terríveis têm silo os resultados da rejeição da
autoridade do Céu. Entretanto, tens ainda mais tenebrosa se apresenta
nas revelações do futuro. Os registros do passado - o longo cortejo de
tumultos, conflitos a revoluções, a "armadura daqueles que pelejavam
corn ruído, a os vestidos que rolavam no sangue" (Isaías 9:5) que são,
em contraste tom os terrores daquele dia em que o Espírito de Deus será
totalmente retirado dos ímpios, não mail contendo a explosão das
paixões humanas a ira satânica! O mundo contemplará então, como nunca
dantes, os resultados do governo de Satanás.
Mas naquele dia, hem como na ocasião da destruição de
Jerusalém, livrarse-á o povo de Deus, "todo aquele que estiver inscrito
entre os vivos." Isaías 4:3. Cristo declarou que virá a segunda vez
para reunir a Si os Seus fiéis: "E todas as tríbos da Terra se
lamentarão, a verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, tom
poder a grande glória. E Ele enviará os Seus anjos corn rijo clamor de
trombeta, os quaffs ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro
ventos, de uma a outra extremidade dos céus." S. Mateus 24:30 a 31.
Então os que não obedecem ao evangelho serão consumidos pelo espíruo de
Sua hots, a serão destruídos tom o resplandor de Sua vinda. (2
Tessalonicenses 2:8.) Como o antigo Israel, os ímpios destroemse a si
mesmos; caem pals sua iniqüidade. Em conseqüência de uma vida de
pecados, colocaram-se tão fora de harmonia tom Deus, sua natureza se
tornou tão aviltada corn o anal, qua a manifestação da glória diving é
para ales urn fogo consumidor.
Acautelem-se os homens para qua não aconteça
negligenciarem a lição qua lhes é comunicada pelas palavras de Crisco.
Assim comp ale preveniu Seus discípulos quanto à destruição de
Jerusalém, dando-lhes um sinal da ruína qua se aproximava para qua
pudessem escapar, também advertiu o mundo quanto ao die dá destruição
final, a lhes deu sinais de sue aproximação pare que todos os que
queiram, possam fugir da ire vindoura. Declare Jesus: "E haverá sinais
no 501, na Lua a nas estrelas; a na Terra angústia das nações." S.
Lucas 21:25; S. Mateus 24:29; S. Marcos 13:24-25; Apocalipse 6:12-17.
Os que contemplam estes prenúncios de Sua vinda, devem saber que "está
próximo, às portas." S. Mateus 24:33. "Vigiai, pois" (S. Marcos 13:35),
são Sues palavras de advertência. Os que atendem ao aviso não serão
deixados em trevas, pare que aquele die os apanhe desprevenidos. Mas
aos que não vigiarem, "o die do Senhor virá como o ladrão de noite." 1
Tessalonicenses 5:2.
O mundo não está mais preparado pare dar crédito à
mensagem pare este tempo do que estiveram os judeus pare receber o
aviso do Salvador, relativo a Jerusalém. Venha quando vier, o die do
Senhor virá de improviso aos ímpios. Correndo a vide sue rotina
invariável; encontrando-se os homens absortos nos prazeres, negócios,
comércio a ambição de ganho; estando os dirigentes do mundo religioso a
engrandecer o progresso a ilustração do mundo, a achandose o povo
embalado em uma false segurança, então, como o ladrão à meia-noite
rouba na case que não é guardada, sobrevirá repentina destruição aos
descuidados a ímpios, a "de nenhum modo escaparão." 1 Tessalonicenses
5:3-5.
CAPÍTULO 2
O Valor dos Mãrtires
Quando Jesus revelou a Seus discípulos a some de
Jerusalém a as cenas do segundo advento, predisse também a experiência
de Seu povo desde o tempo em que deveria ser tirado dentre eles até a
Sua volts em poder a glória pare o seu libertamento. Do Monte das
Oliveiras o Salvador contemplou as tempestades prestes a desabar sobre
a igreja apostólica; e penetrando main profundamente no futuro, Seus
olhos divisaram os terríveis a devastadores vendavais que deveriam
açoitar Seus seguidores nos vindouros séculos de trevas a perseguição.
Em poucas a breves declarações de tremendo significado, predisse o que
os governadores dente mundo haveriam de impor à igreja de Deus. (S.
Mateus 24:9, 21 a 22.) Os seguidores de Cristo deveriam trilhar a mesma
sends de humilhação, ignomínia a sofrimento que Seu Mestre palmilhara.
A inimizade que irrompera contra o Rendentor do mundo, manifestar-se-ia
contra todos os que cressem em Seu nome.
A história da igreja primitiva testificou do
cumprimento das palavras do Salvador. Os poderes da Terra a do inferno
arretimentaram-se contra Cristo na pessoa de Seus seguidores. O
paganismo previa que se o evangelho triunfasse, seus templos e altares
desapareceriam; portanto convocou suss forças pare destruir o
cristianismo. Acenderam-se as fogueiras da perseguição. Os cristãos
eram despojados de sues posses a expulsos de sues cases. Suportaram
"grande combate de aflições." Hebreus 10:32. "Experirnentaram escárnios
a açoites, a até cadeias a prisões." Hebreus 11:36. Grande número dales
selaram seu testemunho com o próprio sangue. Nobres a escravos, ricos a
pobres, doutos a ignorantes, foram de igual modo mortos sem
misericórdia.
Estas perseguições, iniciadas sob o governo de Nero,
aproximadamente ao tempo do martírio de S. Paulo, continuaram com maior
ou manor fúria durance séculos. Os cristãos eram falsamente acusados
dos mais hediondos crimes a tidos como a cause das grandes calamidades
forces, pastes a terremotos. Tornando-se ales objeto do ódio a suspeita
popular, prontificaram-se denunciantes, por amor ao ganho, a trair os
inocentes. Eram condenados como rebeldes ao império, como inimigos da
religião a paste da sociedade. Grande número dales eram lançados às
fares ou queimados vivos nos anfiteatros. Alguns eram crucificados,
outros cobertos corn pales de animais bravios a lançados à arena pare
serem despedaçados pelos cães. De seu sofrimento muitas vezes se fazia
a principal diversão nas festas públicas. Vastas multidões reuniam-se
pare gozar do espetáculo a saudavam os transes de sue agonia com riso a
aplauso.
Onde guar qua procurassem refúgio, os seguidores de
Cristo eram caçados como animais. Eram forçados a procurer esconderijo
nos lugares desolados a solitários. "Desamparados, aflitos a
maltratados (dos quaffs o mundo não era digno), errantes, pelos
desertos, a montes, a pales coves a cavernas da terra." Hebreus 11:37 e
38. As catacumbas proporcionavam abrigo a milhares. Por sob as colinas,
fore da cidade de Roma, longas galerias tinham sido feitas através da
terra a da rocha; o escuro a complicado creme das comunicações
estendia-se quilômetros além dos muros da cidade. Nestes retiros
subterrâneos, os seguidores de Cristo sepultavam os seus rnortos; a ali
também, quando suspeitos a proscritos, encontravam lar. Quando o Doador
da vide despertar os qua pelejaram o bom combate, muitos qua foram
mártires por amor de Cristo sairão dessas sombrias cavernas.
Sob a mais atroz perseguição, estas testemunhas de
Jesus conservararm incontaminada a sue fé. Posto qua privados de todo
conforto, excluídos da luz do Sol, tendo o lar no seio da terra,
obscuro mss amigo, não proferiam queixa alguma. Com palavras de fé,
paciência a esperança, animavam-se uns aos outros a suportar a privação
a angústia. A perda de toda a bênção terrestre não os poderia forçar a
renunciar sua crença em Cristo. Provações a perseguição não eram senão
passos que os levavam pare mais perto de seu descanso a recompense.
Como aconteceu aos servos de Zeus de outrora, muitos
"foram torturados, não aceitando o seu livramento, pare alcançarem urea
melhor ressurreição." Hebreus 11:35. Estes se recordavarm das palavras
do Mestre, de que, quando perseguidos por amor de Cristo, ficassem
muito alegres, pois que grande seria seu galardão no Céu, porque assim
tinham sido perseguidos os profetas antes deles. Regozijavam-se de que
fossem considerados dignos de sofrer pela verdade, a cânticos de
triunfo ascendiam dentre as chamas crepitantes. Pela fé, olhando pare
circa, viam Cristo a os anjos apoiados sobre as ameias do Céu,
contemplando-os com o mais profundo interesse, com aprovação
considerando a sue firmeza. Uma voz lhes vinha do trono de Deus: "Sê
fiel até à morte, a dar-teei a coroa da vide." Apocalipse 2:10.
Baldados foram os esforços de Satanás pare destruir
pela violência a igreja de Cristo. O grande conflito em que os
discípulos de Jesus rendiam a vide, não cessava quando estes fiéis
ports-estandartes tombavam errs sews postos. Com a derrota, venciam. Os
obreiros de Zeus eram mortos, mss a Sua obra is avante com firmeza. O
evangelho continuava a espalhar-se, e o número de seus aderentes a
aumentar. Penetrou em regiões que eram inacessíveis, mesmo às águias
romanas. Disse um cristão, contendendo com os governadores pagãos que
estavam a impulsionar a perseguição: Podeis "mater-nos, torturarnos,
condenar-nos . ... Vossa injustiça é prove de que somos inocentes . . .
. Tampouco vossa crueldade . . . vos aproveitará." Não era senão um
convite mais forte pare se levarem outros à mesma persuasão. "Quanto
mais somos ceifados por vós, tanto mais crescemos em número; o sangue
dos cristãos é semente." Apologia, de Tertuliano, parágrafo 50.
Milhares eram aprisionados a mortos, mss outros
surgiam pats ocupar as vagas. E os que eram martirizados pot sua fé
tornavam-se aquisição de Crisco, pot Ele tidos na coma de vencedores.
Haviam pelejado o bom combate, a deveriam receber a coroa de glória
quando Cristo viesse. Os sofrimentos que suportavam, levavam os
cristãos mais perto uns dos outros a de seu Redentor. Seu exemplo em
vida, a seu testemunho ao morrerem, eram constante atestado à verdade;
e, onde menos se esperava, os súditos de Satanás estavam deixando o seu
serviço e alistando-se sob a bandeira de Cristo.
Satanás, portanto, formulou seus pianos pats guerrear
com mais êxito contra o governo de Deus, hasteando sua bandeira na
igreja cristã. Se os seguidores de Cristo pudessem set enganados a
levados a desagradar a Deus, falhariam então sua força, poder a
firmeza, a eles cairiam como press fácil.
O grande adversário se esforçou então pot obter pelo
artifício aquilo que não lograra alcançar pela força. Cessou a
perseguição, a em seu lugar foi posts a perigosa sedução da
prosperidade temporal a honra mundana. Levavam-se idólatras a receber
pane da fé cristã, enquanto rejeitavam outras verdades essenciais.
Professavam aceitar a Jesus como o Filho de Deus e crer em Sua morte a
ressurreição; mss não tinham a convicção do pecado a não sentiam
necessidade de arrependimento ou de uma mudança de coração. Com algumas
concessôes de sua parte, propuseram que os cristãos fizessem outras
também, pats que todos pudessem unit-se sob a plataforma da crença em
Cristo.
A igreja naquele tempo encontrava-se em terrível
perigo. Prisão, tortura, fogo a espada eram bênçãos em comparação coin
isto. Alguns dos cristãos permaneceram firmes, declarando que não
transigiriam. Outros eram favoráveis a que cedessem, ou modificassem
alguns característicos de sua fé, a se unissem aos que haviam aceito
pane do cristianismo, insistindo em que este poderia set o meio pats a
completa conversão. Foi' um tempo de profunda angústia pats os fiéis
seguidores de Crisco. Sob a caps de pretenso cristianismo, Satanás se
estava insinuando na igreja a fire de corromper-lhe a fé a desviar-lhe
a mente da Palavra da verdade.
A maioria dos cristãos finalmente consentiu em baixar
a norma, formando-se uma união entre o cristianismo e o paganismo.
Posto que os adoradores de ídolos professassem ester convertidos a
unidos à igreja, apegavam-se ainda à idolatria, mudando apenas os
objetos de culto pelas imagens de Jesus, e mesmo de Maria a dos santos.
O fermento vil da idolatria, assim trazido pare a igreja, continuou a
obra funesta. Doutrinas errôneas, ritos supersticiosos a cerimônias
idolátricas foram incorporados em sue fé a culto. Unindo-se os
seguidores de Cristo aos idólatras, a religião cristã se tornou
corrupts e a igreja perdeu sue pureza a poder. Alguns houve,
entretanto, que não foram transviados por esses enganos. Mantinham-se
ainda fiéis ao Autor da verdade, a adoravam a Deus somente.
Sempre tem havido dues classes entre os que professam
ser seguidores de Cristo. Enquanto uma dessas classes estuda a villa do
Salvador a fervorosamente procure corrigir seus defeitos a conformer-se
com o Modelo, a outra evita as claras a práticas verdades que lhes
expôem os erros. Mesmo em sue melhor condição a igreja não se compôs
unicamente dos verdadeiros, puros a sinceros. Nosso Salvador ensinou
que os que voluntariamente condescendem com o pecado não devem ser
recebidos na igreja; todavia ligou a Si homens que eram falhos de
caráter a concedeu-lhes os benefícios de Seus ensinos a exemplos, pare
que tivessem oportunidade de ver seus error a corrigi-los. Entre os
doze apóstolos havia um traidor. Judas foi aceito, não por cause de
seus defeitos de caráter mss apesar deles. Foi ligado aos discípulos
pare qua, pale instrução a exemplo de Cristo, pudesse aprender o qua
constitui o caráter cristão a assim ser levado a ver seus error, pare
arrepender-se e, pelo auxílio da graça diving, purificar a alma "na
obediência à verdade." Mas Judas não andou na luz qua tão
misericordiosamente foi permitido brilhasse sobre ale. Pela
condescendência corn o pecado, atraiu as tentações de Satanás. Seus
maus traços de caráter se tornaram predominantes. Rendeu a manta à
direção dos poderes das trevas, irava-se quando sues faltas eram
reprovadas, sendo fiesta: to levado a cometer o terrível crime de train
o Mestre. Assim todos os que acariciam o maI sob profissão de piedade,
odeiam os que lhes perturbam a paz condenando seu caminho de pecado.
Quando se apresenta oportunidade favorável, eles, semelhantes a Judas,
traem aos que pare seu bem procuram reprová-los.
Os apóstolos encontraram na igreja os que professavam
piedade, ao mesmo tempo em que secretamente acariciavam a iniqüidade.
Ananias a Safira desempenharam o papel de enganadores pretendendo fazer
sacrifício total a Deus, quando cobiçosamente estavam retendo uma parse
pare si. O Espírito da verdade revelou aos apóstolos o caráter real
desses impostores, e os juízos de Deus livraram a igreja dessa
detestável mancha em sue pureza. Esta assinalada evidência do
discernidor Espírito de Cristo na igreja foi um terror pare os
hipócritas a malfeitores. Não mais poderiam permanecer em ligação com
aqueles que eram, em hábitos a disposição, invariáveis representantes
de Cristo; e, quando as provações a perseguiçôes sobrevieram a Seus
seguidores, apenas os que estavam dipostos a abandonar tudo por amor à
verdade desejaram tornar-se Seus discípulos. Assim, enquanto durou a
perseguição, a igreja permaneceu comparativamente pure. Mas, cessando
aquela, acrescentaram-se conversos que eram menos sinceros a devotados,
a abriu-se o caminho pare Satanás tomar pé.
Não há, porém, união entre o Principe da luz e o
príncipe das trevas, a nenhuma conivência poderá haven entre os seus
seguidores. Quando os cristãos consentiram em unir-se àqueles que não
eram senão semiconversos do paganismo, enveredaram por caminho que
levaria mais a mais longe da verdade. Satanás exultou em haven
conseguido enganar tão grande número dos seguidores de Cristo. Levou
então seu poder a agir de modo mais completo sobre eles, a os inspirou
a perseguir aqueles que permaneceram fiéis a Deus. Ninguém compreendeu
tão bem como se opor à verdadeira fé cristã como os que haviam sido
seus defensores; a estes cristãos apóstatas, unindo-se aos companheiros
semipagãos, dirigiram seus ataques contra os característicos mais
importantes das doutrinas de Cristo.
Foi necessária urns Iota desesperada por pane
daqueles que desejavam ser fiéis, permanecendo firmer contra os enganos
e abominações que se disfarçavam sob as vestes sacerdotais a se
introduziram na igreja. A Escritura Sagrada não era aceita como a norms
de fé. A doutrina da liberdade religiosa era chamada heresia, sendo
odiados a proscritos seus mantenedores.
Depois de longo a tenaz conflito, os poucos fiéis
decidiramse a dissolver toda a união tom a igreja apóstata, taro ela
ainda recusasse libertar-se da falsidade a idolatria. Viram que a
separação era uma necessidade absolute se desejavam obedecer à Palavra
de Deus. Não ousavam tolerar erros fatais a sue própria alma, a dar
exemplo que pusesse em perigo a fé de seus filhos a netos. Pare
assegurar a paz e a unidade, estavam prontos a fazer qualquer concessão
coerente tom a fidelidade pare corn Deus: mss acharam que rnesmo a paz
seria comprada demasiado taro tom sacrifício dos princípios. Se a
unidade só se pudesse conseguir comprometendo a verdade e a justiça,
seria preferível que prevalecessem as diferenças a as conseqüentes
lutes.
Born retie à igreja a ao mundo se os princípios que
atuavam naquelas almas inabaláveis revivessem no coração do professo
povo de Deus. Há alarmante indiferença em relação às doutrinas que são
as colunas da fé cristã. Ganha terreno a opinião de que, em última
análise, não são de importância vital. Esta degenerescência está
fortalecendo as mãos dos agentes de Satanás, de modo que falser teorias
a enganos fatais, que os fiéis dos séculos passados expunham a
combatiam tom riscos da própria vide, são hoje considerados tom favor
pot milhares que pretendem set seguidores de Cristo.
Os primitivos cristãos eram na verdade um povo
peculiar. Sua conduta irrepreensível a fé invariável eram continua
reprovação a perturbar a paz dos pecadores. Se bem que poucos, sem
riqueza, posição ou títulos honoríficos, constituíam um terror pare os
malfeitores onde quer que seu caráter a doutrina fossem conhecidos.
Eram, portanto, odiados pelos ímpios, assim como Abel o foi pelo ímpio
Caim. Pela mesma razão pot que Caim matou Abel, os que procuravam
repelir a restrição do Espírito Santo mataram o povo de Deus. Pelo
mesmo motivo foi que os judeus rejeitaram a crucificaram o Salvador:
porque a pureza a santidade de Seu caráter eram repreensão constante ao
egoísmo a corrupção deles. Desde os dies de Cristo até hoje, os fiéis
discípulos têm suscitado ódio a oposição dos que amam e seguem os
caminhos do pecado.
Como, pois, pode o evangelho ser chamado mensagem de
paz? Quando Isaías predisse o nascimento do Messias, conferiulhe o
título de "Principe da Paz." Quando os anjos anunciaram aos pastores
que Cristo nascera, cantaram sobre as planícies de Belém: "Glória a
Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade pare com os homens." S.
Lucas 2:14. Há uma aparente contradição entre estas declarações
proféticas a as palevras de Cristo: "Não vim trazer paz, mas espada."
S. Mateus 10:34. Mas, entendidas corretamente, ambas estão em perfeita
harmonic. O evangelho é uma mensagem de paz. O cristianismo é um
sistema religioso que, recebido a obedecido, espalharia paz, harmonic a
felicidade por toda a Terra. A religião de Cristo ligará em íntima
fraternidade todos os que the aceitarem os ensinos. Foi missão de Jesus
reconciliar os homens com Deus, e assim uns com os outros. Mas o mundo
em grande parte se achy sob o domínio de Satanás, o acérrimo adversário
de Cristo. O evangelho apresenta-lhes princípios de vide que se acham
totalmente em desacordo com seus hábitos a desejos, a eles se erguem em
rebelião contra ele. Odeiam a pureza que lhes revela a condena os
pecados, a perseguem a destroem os que com eles insistirem em sues
justas a santas reivindicações. É neste sentido que o evangelho é
chamado uma espada, visto que as elevadas verdades que traz ocasionam o
ódio e a contenda.
A misteriosa providência que permite sofrerem os
justos perseguição às mãos dos ímpios, tem sido cause de grande
perplexidade a muitos que são fracos na fé. Alguns se dispõem mesmo a
lançar de si a confiança em Deus, por permitir Ele que os mais vis dos
homens prosperem, enquanto os melhores e mais puros são afligidos a
atormentados pelo cruel poder daqueles. Como, pergunta-se, pode Aquele
que é justo a misericordioso, a que também é de poder infinito, tolerar
tal injustiça a opressão? É esta uma questão com que nada temos que
ver. Zeus deu suficientes evidências de Seu amor, a não devemos duvidar
de Sua bondade por não podermos compreender a operação de Sua
providência. Disse o Salvador a Seus discípulos, prevendo as dúvidas
que lhes oprimiriam a alma nos digs de provação a trevas: "Lembrai-vos
da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a
Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós." S. João 15:20. Jesus
sofreu por nós mais do que qualquer de Seus seguidores poderá sofrer
pale crueldade de homens ímpios. Os qua são chamados a suportar a
torture e o martírio não estão senão seguindo as pegadas do dileto
Filho de Deus.
"O Senhor não retards a Sua promessa." 2 S. Pedro
3:9. Ele não Se esquece de Seus filhos, nem os negligencia; mss permite
qua os ímpios revelem seu verdadeiro caráter, pare qua ninguém qua
deseje fazer a Sua vontade posse ser iludido com relação a ales.
Outrossim, os justos são postos na fornalha da aflição pare qua ales
próprios possam ser purificados, pare qua seu exemplo posse convencer a
outros da realidade da fé a piedade, a também pare qua sue coerente
conduta posse condenar os ímpios a incrédulos.
Zeus permite qua os ímpios prosperem a revelem
inimizade pare com Ele, a fim de qua, quando encherem a medida de sue
iniqüidade, todos possam, em sue complete destruição, ver a justiça a
misericórdia divines. Apressa-se o die de Sua vingança, no qual todos
os qua transgrediram a lei divine a oprimiram o povo de Zeus receberão
a juste recompense de sues ações; em qua todo ato de crueldade a
injustiça pare com os fiéis será punido como se Posse feito ao próprio
Cristo.
Há outra questão mail importante qua deveria ocupar a
atenção das igrejas de hoje. O apóstolo S. Paulo declare qua "todos os
qua piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguiçòes." 2
Timóteo 3:12. Por qua é, pois, qua a perseguição, em grande parse,
parece adormentada? A única razão é qua a igreja se conformou com a
norms do mundo, a portanto não suscita oposição. A religião qua em
nosso tempo prevalece não é do caráter puro a santo qua assinalou a fé
cristã nos dias de Cristo a Seus apóstolos. É unicamente por cause do
espíruo de transigência corn o pecado, por serem as grandes verdades.
da Palavra de Deus tão indiferentemente consideradas, por haver tão
pouca piedade vital na igreja, que o cristianismo é aparentemente tão
popular no mundo. Haja um reavivamento da fé a poder da igreja
primitive, e o espíruo de opressão reviverá, reacendendo-se as
fogueiras da perseguição.
CAPÍTULO 3
Como Começaram as Trevas Morais
O apóstolo S. Paulo, em sua segunda carts aos
tessalonicenses, predisse a grande apostasia que teria como resultado o
estabelecimento do poder papal. Declarou que o dia de Cristo não viria
"sem que antes venha a apostasia, a se manifeste o homem do pecado, o
filho da perdição; o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se
chama Zeus, ou se adora; de some que se assentará, como Zeus, no templo
de Deus, querendo parecer Deus." 2 Tessalonicenses 2:3 a 4. E, ainda
mais, o apóstolo adverte os irmãos de que " já o mistério da injustiça
opera." 2 Tessalonicenses 2:7. Mesmo naqueles primeiros tempos viu ele,
insinuando-se na igreja, erros que preparariam o caminho para o
desenvolvimento do papado.
Pouco a pouco, a princípio furtiva a silenciosamente,
a depois mais ás claras, à medida em que crescia em força a conquistava
o domínio da mente dos homens, o mistério da iniqüidade levou avante
sua obra de engano a blasfêmia. Quase imperceptivelmente os costumes do
paganismo tiveram ingresso na igreja cristã. O espírito de transigência
a conformidade fora restringido durance algum tempo pelas terríveis
perseguições que a igreja suportou sob o paganismo. Mss, errs cessando
a perseguição a entrando o cristianismo nas comes a palácios dos refs,
pôs ela de lado a humilde simplicidade de Cristo a Seus apóstolos, em
troca da pompa a orgulho dos sacerdotes a governadores pagãos; a em
lugar das ordenanças de Zeus colocou teorias e tradições humanas. A
conversão nominal de Constantino, na primeira pane do século quarto,
causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente,
introduziu-se na igreja. Progredia rapidamente a obra de corrupção. O
paganismo, conquanto parecesse suplantado, tornou-se o vencedor. Seu
espíruo dominava a igreja. Suas doutrinas, cerimônias a superstições
incorporaram-se à fé a culto dos professos seguidores de Cristo.
Esta mútua transigência entre o paganismo e o
cristianismo resultou no desenvolvimento do "homem do pecado," predito
na profecia como se opondo a Deus a exaltando-se sobre Ele. Aquele
gigantesco sistema de religião falsa é a obra-prima do poder de Satanás
- monumento de seus esforços para sentarse sobre o trono a governar a
Terra segundo a sua vontade.
Urns vez Satanás se esforçou por estabelecer um
compromisso mútuo com Cristo. Chegando-se ao Filho de Deus no deserto
da tentação, a mostrando lhe todos os reinos do mundo e a glória dos
mesmos, ofereceu-se a entregar tudo em Suas mãos se tão-somente
reconhecesse a supremacia do príncipe das trevas. Cristo repreendeu o
pretensioso tentador a obrigou-o a retirar-se. Mas Satanás obtém maior
êxito em apresentar ao homem as mesmas tentações. Para conseguir
proveitos a honras humanas, a igreja foi levada a buscar o favor a
apoio dos grandes homens da Terra; e, havendo assim rejeitado a Cristo,
foi induzida a prestar obediência ao representante de Satanás - o bispo
de soma.
Uma das principais doutrinas do romanismo é que o
papa é a cabeça visível da igreja universal de Cristo, investido de
autoridade suprema sobre os bispos a pastores em todas as partes do
mundo. Mais do que isto, tern-se dado ao papa os próprios títulos da
Divindade. Tem sido intitulado: "Senhor Deus, o Papa" (Ver Apêndice),
a foi declarado infalível. Exige ele a homenagem de todos os homens. A
mesma pretensão em que insistia Satanás no deserto da tentação, ele
ainda a encarece mediante a igreja de Roma, a enorme número de pessoas
estão prontas para render-the homenagem.
Mas os que temem a reverenciam a Deus enfrentam esta
audaciosa presunção do mesmo modo por qua Cristo enfrentou as
solicitações do insidioso adversário: "Adorarás ao Senhor teu Deus, e a
Ele somente servirás." S. Lucas 4:8. Deus jamais deu em Sua Palavra a
minima sugestão de qua tivesse designado a algum homem pare ser a
cabeça da igreja. A doutrina da supremacia papal opõe-se diretamente
aos ensinos das Escrituras Sagradas. O papa não pode tar poder algum
sobre a igreja de Cristo, senão por usurpação.
Os romanistas têm persistido em acusar os
protestantes de heresia a voluntária separação da verdadeira igreja.
Semelhantes acusações, porém, aplicam-se antes a ales próprios. São
ales os qua depuseram a bandeira de Cristo, a se afastaram da "fé qua
urea vez foi dada aos santos". S. Judas 3.
Satanás barn sabia qua as Escrituras Sagradas
habilitariam os homens a discernir seus enganos a resistir a seu poder.
Foi pale Palavra qua mesmo o Salvador do mundo resistiu a seus ataques.
Em cads assalto Cristo apresentou o escudo da verdade eterna, dizendo:
"Está escrito". A cads sugestão do adversário, opunha a sabedoria a
poder da Palavra. A fim de Satanás manter o seu domínio sobre os homens
a estabelecer a autoridade humane, deveria conservá-los na ignorância
das Escrituras. A Bíblia exaltaria a Deus a colocaria o homem finito em
sue verdadeira posição; portanto, suss sagradas verdades deveriam ser
ocultadas a suprimidas. Esta lógica foi adotada pale Igreja de Rorna.
Durante séculos a circulação da Escritura foi proibida. Ao povo era
vedado lê-la ou tê-la em case, a sacerdotes a prelados sem escrúpulos
interpretavam-lhe os ensinos de modo a favorecerem sues pretensões.
Assim o chafe da igreja veio a ser quase universalmente reconhecido
como o vigário de Deus na Terra, dotado de autoridade sobre a igreja e
o Estado.
Suprimido o revelador do erro, agiu Satanás, a seu
bel-prazer. A profecia declarara qua o papado havia de cuidar "em mudar
os tempos e a lei". Daniel 7:25. Pare cumprir esta obra não foi
vagaroso. A fim de proporcionar aos conversos do paganismo
uma-substituiçâo à adoração de ídolos, a promover assim sue aceitação
nominal do cristianismo, foi gradualmente introduzida no culto cristão
a adoração das imagens a relíquias. O decreto de um concílio geral (Ver Apêndice)
estabeleceu, por fire, este sistema de idolatria. Pare completar a obra
sacrílega, Rome pretendeu eliminar da lei de Deus, o segundo
mandamento, que proíbe o culto das imagens, a dividir o décimo
mandamento a fim de conservar o número deles.
Este espírito de concessão ao paganismo abriu caminho
pare desrespeito ainda maior da autoridade do Céu. Satanás, operando
por meio de não consagrados dirigentes da igreja, intrometeu-se também
com o quarto mandamento a tentou pôr de lado o amigo sábado, o die que
Deus tinha abençoado a santificado (Gênesis 2:2 a 3), exaltando em seu
lugar a festa observada pelos pagãos como "o venerável die do Sol."
Esta mudança não foi a princípio tentada abertamente. Nos primeiros
séculos o verdadeiro sábado foi guardado por todos os cristãos. Eram
ester ciosos da honra de Deus, e, crendo que Sua lei é imutável,
zelosamente preservavam a santidade de seus preceitos. Mas com grande
argúcia, Satanás operava mediante sews agentes pare efetuar seu
objetivo. Pare que a atenção do povo pudesse ser chamada pare o
domingo, foi feito deste uma festividade em honra da ressurreiçào de
Cristo. Atos religiosos eram nele realizados; era, porém, considerado
como ,die de recreio, sendo o sábado ainda observado como die
santificado.
A fim de preparar o caminho pare a obra que intentava
cumprir, Satanás induzira os judeus, antes do advento de Cristo, a
sobrecarregarem o sábado com as mais rigorosas imposições, tornando sue
observância um fardo. Agora, tirando vantagem da false luz sob a qual
ele assim fizera com que fosse considerado, lançou o desdém sobre o
sábado como instituição judaica. Enquanto os cristãos geralmente
continuavam a observer o domingo como festividade prazenteira, ele os
levou, a fim de mostrarem seu ódio ao judaísmo, a fazer do sábado die
de jejum, de tristeza a pesar.
Na primeira parte do século quarto, o imperador
Constantino promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade
pública em todo o Império Romano (Ver Apêndice).
O die do Sol era venerado por seus súditos pagãos a honrado pelos
cristãos; era política do imperador unir os interesses em con
flito do paganismo e cristianismo. Com ele se
empenharam para fazer isto os bispos da igreja, os quais, inspirados
pela ambição e sede do poder, perceberam que, se o mesmo dia fosse
observado tanto por cristãos como pagãos, promoveria a aceitação
nominal do cristianismo pelos pagãos, e assim adiantaria o poderio e
glória da igreja. Mas, conquanto muitos cristãos tementes a Deus fossem
gradualmente levados a considerar o domingo como possuindo certo grau
de santidade, ainda mantinham o verdadeiro sábado como o dia santo do
Senhor, e observavam-no em obediência ao quarto mandamento.
O arquienganador não havia terminado a sua obra.
Estava decidido a congregar o mundo cristão sob sua bandeira, e exercer
o poder por intermédio de seu vigário, o orgulhoso pontífice que
pretendia ser o representante de Cristo. Por meio de pagãos
semiconversos, ambiciosos prelados e eclesiásticos amantes do mundo,
realizou ele seu propósito. Celebravam-se de tempos em tempos vastos
concílios aos quais do mundo todo concorriam os dignitários da igreja.
Em quase todos os concílios o sábado que Deus havia instituído era
rebaixado um pouco roais, enquanto o domingo era em idêntica proporção
exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada
corno instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o
sábado bíblico relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se seus observadores.
O grande apóstata conseguira exaltar-se "contra tudo
o que se chama Deus, ou se adora." 2 Tessalonicenses 2:4. Ousara mudar
o único preceito da lei divina que inequivocamente indica a toda a
humanidade o Deus verdadeiro e vivo. No quarto mandamento Deus é
revelado como o Criador do céu e da Terra, e por isso Se distingue de
todos os falsos deuses. Foi para memória da obra da criação que o
sétimo dia foi santificado como dia de repouso para o homem.
Destinava-se a conservar o Deus vivo sempre diante da mente humana como
a fonte de todo ser e objeto de reverência e culto. Satanás esforça-se
por desviar os homens de sua aliança para com Deus e de prestarem
obediência à Sua lei; dirige seus esforços, portanto, especialmente
contra o mandamento que aponta a Deus como o Criador.
Os protestantes hoje insistem em que a ressurreição
de Cristo no domingo fê-lo o sábado cristão. Não existe, porém,
evidência escriturística para isto. Nenhuma honra semelhante foi
conferida ao dia por Cristo ou Seus apóstolos. A observância do domingo
como instituição cristã teve origem no "mistério da injustiça" (2
Tessalonicenses 2:7) que, já no tempo de S. Paulo, começara a sua obra.
Onde e quando adotou o Senhor este filho do papado? Que razão poderosa
se poderá dar para uma mudança que as Escrituras não sancionam?
No século sexto tornou-se o papado firmemente
estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio na cidade imperial e
declarou-se ser o bispo de Roma a cabeça de toda a igreja. (Ver Apêndice.)
O paganismo cedera lugar ao papado. O dragão dera à besta "o seu poder,
e o seu trono, e grande poderio." Apocalipse 13:2. E começaram então os
1260 anos da opressão papal preditos nas profecias de Daniel e
Apocalipse. (Daniel 7:25; Apocalipse 13:5-7.) Os cristãos foram
obrigados a optar entre renunciar sua integridade e aceitar as
cerimônias e culto papais, ou passar a vida nas masmorras, sofrer a
morte pelo instrumento de tortura, pela fogueira, ou pela machadinha do
verdugo. Cumpriam-se as palavras de Jesus: "F, até pelos pais, e
irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues, e matarão alguns de vós.
F, de todos sereis odiados por causa de Meu nome." S. Lucas 21:16 e 17.
Desencadeou-se a perseguição sobre os fiéis com maior
fúria do que nunca, e o mundo se tornou um vasto campo de batalha.
Durante séculos a igreja de Cristo encontrou refúgio no isolamento e
obscuridade. Assim diz o profeta: "A mulher fugiu para o deserto, onde
já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada
durante anil e duzentos e sessenta dias." Apocalipse 12:6.
O acesso da Igreja de Roma ao poder assinalou o
início da escura Idade Média. Aumentando o seu poderio, mais se
adensavam as trevas. De Cristo, o verdadeiro fundamento, transferiu-se
a fé para o papa de Roma. Em vez de confiar no Filho de Deus para o
perdão dos pecados e para a salvação eterna, o povo olhava para o papa
e para os sacerdotes e prelados a quero delegava autoridade.
Ensinava-se-lhe ser o papa seu mediador terrestre, e que ninguém
poderia aproximar-se de Deus senão por seu intermédio; e mais ainda,
que ele ficava para eles em lugar de Deus e deveria, portanto, ser
implicitamente obedecido. Esquivar-se de suas disposições era motivo
suficiente para se infligir a mais severa punição ao corpo e alma dos
delinqüentes. Assim, a mente do povo desviava-se de Deus para homens
falíveis e cruéis, e mais ainda, para o próprio príncipe das trevas que
por meio deles exercia o seu poder. O pecado se disfarçava sob o manto
de santidade. Quando as Escrituras são suprimidas e o homem vem a
considerar-se supremo, só podemos esperar fraudes, engano e aviltante
iniqüidade. Com a elevação das leis e tradições humanas, tornou-se
manifesta a corrupção que sempre resulta de se pôr de lado a lei de
Deus.
Dias de perigo foram aqueles para a igreja de Cristo.
Os fiéis porta-estandartes eram na verdade poucos. Posto que a verdade
não fosse deixada sem testemunhas, parecia, por vezes, que o erro e a
superstição prevaleceriam completamente, e a verdadeira religião seria
banida da Terra. Perdeu-se de vista o evangelho, mas multiplicaram-se
as formas de religião, e o povo foi sobrecarregado de severas
exigências.
Ensinava-se-lhes não somente a considerar o papa como
seu mediador, ruas a confiar em suas próprias obras para expiação do
pecado. Longas peregrinações, atos de penitência, adoração de
relíquias, ereção de igrejas, relicários e altares, bem como pagamento
de grandes sornas à igreja, tudo isto e muitos atos semelhantes eram
ordenados para aplacar a ira de Deus ou assegurar o Seu favor, corno se
.Deus fosse idêntico aos homens, encolerizando-Se por ninharias, ou
apaziguando-Se com donativos ou atos de penitência!
Apesar de que prevalecesse o vício, mesmo entre os
chefes da Igreja de Roma, sua influência parecia aumentar
constantemente. Mais ou menos ao findar o oitavo século, os romanistas
começaram a sustentar que nas primeiras épocas da igreja os bispos de
Roma tinham possuído o mesmo poder espiritual que assumiam agora. Para
confirmar essa pretensão, era preciso empregar alguns meios com o fito
de lhe dar aparência de autoridade; e isto foi prontamente sugerido
pelo pai da mentira. Antigos escritos foram forjados pelos monges.
Decretos de concílios de que antes nada se. ouvira foram descobertos,
estabelecendo a supremacia universal do papa desde os primeiros tempos.
E a igreja que rejeitara a verdade, avidamente aceitou estes enganos (Ver Apêndice).
Os poucos fiéis que construíram sobre o verdadeiro
fundamento (1 Coríntios 3:10 e 11), ficaram perplexos e entravados
quando o entulho das falsas doutrinas obstruiu a obra. Como os
edificadores sobre o muro de Jerusalém no tempo de Neemias, alguns se
prontificaram a dizer: "Já desfaleceram as forças dos acarretadores, e
o pó é muito e nós não podemos edificar o muro." Neemias 4:10. Cansados
da constante luta contra a perseguição, fraude, iniqüidade e todos os
outros obstáculos que Satanás pudera engendrar para deter-lhes o
progresso, alguns que haviam sido fiéis edificadores, desanimaram; e
por amor da paz e segurança de sua propriedade e vida, desviaramse do
verdadeiro fundamento. Outros, sem se intimidarem com a oposição de
seus inimigos, intrepidamente declaravam: "Não os temais: lembrai-vos
do Senhor grande e terrível" (Neemias 4:14); e prosseguiam com a obra,
cada qual core a espada cingida ao lado (Efésios 1:17).
O mesmo espírito de ódio e oposição à verdade tem
inspirado os inimigos de Deus em todos os tempos, e a mesma vigilância
e fidelidade têm sido exigidas de Seus servos. As palavras de Cristo
aos primeiros discípulos aplicam-se aos Seus seguidores até ao final
do. tempo: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." S.
Marcos 13:37.
As trevas pareciam tornar-se mais densas.
Generalizou-se a adoração das imagens. Acendiam-se velas perante
imagens e orações se lhes dirigiam. Prevaleciam os costumes mais
absurdos e supersticiosos. O espírito dos homens era a tal ponto
dirigido pela superstição que a razão mesma parecia haver perdido o
domínio. Enquanto os próprios sacerdotes e bispos eram amantes do
prazer; sensuais e corruptos, só se poderia esperar que o povo que os
tinha como guias se submergisse na ignorância e vício.
Outro passo ainda deu a presunção papal quando, no
sécul XI, o papa Gregório VII proclamou a perfeição da Igreja d Roma.
Entre as proposições por ele apresentadas uma havi declarando que a
igreja nunca tinha errado, nem jamais erre ria, segundo as Escrituras.
Mas as provas escriturísticas nã acompanhavam a asserção. O altivo
pontífice também preter dia o poder de depor imperadores; e declarou
que sentenç alguma que pronunciasse poderia ser revogada por quero que
que fosse, mas era prerrogativa sua revogar as decisões de todo os
outros. (Ver Apêndice.)
Uma flagrante ilustração do caráter tirânico do papa
Gregório VII se nos apresenta no modo por que tratou o impe rador
alemão Henrique IV. Por haver intentado desprezar
autoridade do papa, declarou-o este excomungado e
destronado. Aterrorizado pela deserção e ameaças de seus próprios
príncipes, que por mandado do papa eram acoroçoados na rebeliãc contra
ele, Henrique pressentiu a necessidade de fazer as pazes com Roma. Em
companhia da esposa e de um servo fiel, atravessou os Alpes em pleno
inverno, a fim de humilhar-se perante o papa. Chegando ao castelo para
onde Gregório se retirara, foi conduzido, sem seus guardas, a um pátio
externo, e ali, no rigoroso frio do inverno, com a cabeça descoberta,
descalço e miseravelmente vestido, esperou a permissão do papa a fim de
ir à sua presença. O pontífice não se dignou de conceder-lhe perdão
senão depois de haver ele permanecido três dias jejuando e fazendo
confissão. Isso mesmo, apenas coro a condição de que o imperador
esperasse a sanção do papa antes de reassumir as insígnias ou exercer o
poder da realeza. E Gregório, envaidecido com seu triunfo, jactava-se
de que era seu dever abater o orgulho dos reis.
Quão notável é o contraste entre o despótico orgulho
deste altivo pontífice e a mansidão e a suavidade de Cristo, que
representa a Si mesmo à porta do coração a rogar que seja ali admitido,
a fim de poder entrar para levar perdão e paz, e que ensinou a Seus
discípulos: "Qualquer que entre vós quiser ser o primeiro seja vosso
servo." S. Mateus 20:27.
Os séculos que se seguiram testemunharam aumento
constante de erros nas doutrinas emanadas de Roma. Mesmo antes do
estabelecimento do papado, os ensinos dos filósofos pagãos haviam
recebido atenção e exercido influência na igreja. Muitos que se diziam
conversos ainda se apegavam aos dogmas de sua filosofia pagã, e não
somente continuaram no estudo desta, ruas encareciam-no a outros como
meio de estenderem sua influência entre os pagãos. Erros graves foram
assim introduzidos na fé cristã. Destaca-se entre outros o da crença na
imortalidade natural do homem e sua consciência na morte. Esta doutrina
lançou o fundamento sobre o qual Roma estabeleceu a invocação dos
santos e a adoração da Virgem Maria. Disto também proveio a heresia do
tormento eterno para os que morrem impenitentes, a qual logo de início
se incorporara à fé papal.
Achava-se então preparado o caminho para a introdução
de ainda outra invenção do paganismo, a que Roma intitulou purgatório e
empregou para amedrontar as multidões crédulas e supersticiosas. Com
esta heresia afirma-se a existência de um lugar de tormento, no qual as
almas dos que não mereceram condenação eterna devem sofrer castigo por
seus pecados, e do qual, quando libertas da impureza, são admitidas no
Céu. (Ver Apêndice.)
Ainda uma outra invencionice era necessária para
habilitar Roma a aproveitar-se dos temores e vícios de seus adeptos.
Esta foi suprida pela doutrina das indulgências. Completa remissão dos
pecados, passados, presentes e futuros, e livramento de todas as dores
e penas em que os pecados importara, eram prometidos a todos os que se
alistassem nas guerras do pontífice para estender seu domínio temporal,
castigar seus inimigos e exterminar os que ousassem negar-lhe a
supremacia espiritual. Ensinava-se também ao povo que, pelo pagamento
de dinheiro à igreja, poderia livrar-se do pecado e igualmente libertar
as almas de seus amigos falecidos que estivessem condenados às chamas
atormentadoras. Por esses meios Roma abarrotou os cofres e sustentou a
magnificência, o luxo e os vícios dos pretensos representantes dAquele
que não tinha onde reclinar a cabeça. (Ver Apêndice.)
A ordenança escriturística da ceia do. Senhor fora
suplantada pelo idolático sacrifício da missa. Sacerdotes papais
pretendiam, mediante esse disfarce destituído de sentido, converter o
simples pão e vinho no verdadeiro "corpo e sangue de Cristo." -
Conferências Sobre a "Presença Real," do Cardeal Wiseman. Com blasfema
presunção pretendiam abertamente o poder de criarem Deus, o Criador de
todas as coisas. Aos cristãos exigia-se, sob pena de morte, confessar
sua fé nesta heresia horrível, que insulta ao Céu. Multidões que a isto
se recusaram foram entregues às chamas. (Ver Apêndice.)
No século XIII foi estabelecido o mais terrível de
todos os estratagemas do papado a inquisição. O príncipe das trevas
trabalhava com os dirigentes da hierarquia papal. Em seus concílios
secretos, Satanás e seus anjos dirigiam a mente de homens maus,
enquanto, invisível entre eles, estava urre anjo de Deus, fazendo o
tremendo relatório de seus iníquos decretos e escrevendo a história de
ações por demais horrorosas para serem desvendadas ao humano olhar. "A
grande Babilônia" estava "embriagada do sangue dos santos." Os corpos
mutilados de milhões de mártires pediam vingança a Deus contra o poder
apóstata.
O papado se tornou o déspota do mundo. Reis e
imperadores curvavam-se aos decretos do pontífice romano. O destino dos
homens, tanto temporal como eterno, parecia estar sob seu domínio.
Durante séculos as doutrinas de Roma tinham sido extensa e
implicitamente recebidas, seus ritos reverentemente praticados, suas
festas geralmente observadas. Seu clero era honrado e liberalmente
mantido. Nunca a Igreja de Roma atingiu maior dignidade, magnificência
ou poder.
Mas "o meio-dia do papado foi a meia-noite do mundo."
História do Protestantino, de Wylie. As Sagradas Escrituras eram quase
desconhecidas, não somente pelo povo mas pelos sacerdotes. Como os
fariseus de outrora, os dirigentes papais odia-vam a luz que revelaria
os seus pecados. Removida a lei de Deus - a norma de justiça - exerciam
eles poder sem limites e praticavam os vícios sem restrições.
Prevaleciam a fraude, a avareza, a libertinagem. Os homens não recuavam
de crime algum pelo qual pudessem adquirir riqueza ou posição. Os
palácios dos papas e prelados eram cenários da mais vil devassidão:
Alguns dos pontífices reinantes eram acusados de crimes tão revoltantes
que os governadores seculares se esforçavam 'por depor esses
dignitários da igreja como monstros demasiado vis para serem tolerados.
Durante séculos a Europa não fez progresso no saber, nas artes ou na
civilização. Unha paralisia moral e intelectual caíra sobre a
cristandade.
A condição do mundo sob o poder romano apresentava o
cumprimento terrível e surpreendente das palavras do profeta Oséias: "O
Meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento: porque tu
rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitarei, . . . visto que te
esqueceste da lei do teu Deus, também Eu Me esquecerei de teus filhos".
Oséias 4:6. "Não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus
na Terra. Só prevalecera o perjurar, e o mentir, e o matar, e o furtar,
e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios". Oséias 4:1 e 2. Foram
estes os resultados do banimento da Palavra de Deus.
CAPÍTULO 4
Um Povo que Difunde Luz
Por entre as trevas que baixaram à Terra durante o
longo período da supremacia papal, a luz da verdade não poderia ficar
inteiramente extinta. Em cada época houve testemunhas de Deus — homens
que acalentavam fé em Cristo como único mediador entre Deus e o homem,
que mantinham a Escritura Sagrada como a única regra de vida, e
santificavam o verdadeiro sábado. Quanto o mundo deve a estes homens, a
posteridade jamais saberá. Foram estigmatizados como hereges,
impugnados os seus motivos, criticado o seu caráter, e suprimidos,
difamados ou mutilados os seus escritos. No entanto, permaneceram
firmes, e de século em século mantiveram a fé em sua pureza como
sagrado legado às gerações vindouras.
A história do povo de Deus durante os séculos de
trevas que se seguiram à supremacia de Roma, está escrita no Céu, mas
pouco espaço ocupa nos registros humanos. Poucos traços de sua
existência se podem encontrar, a não ser nas acusações de seus
perseguidores. Foi tática de Roma obliterar todo vestígio de
dissidência de suas doutrinas ou decretos. Tudo que fosse herético,
quer pessoas quer escritos, procurava ela destruir. Expressões de
dúvida ou questões quanto à autoridade dos dogmas papais eram
suficientes para tirar a vida do rico ou pobre, elevado ou humilde.
Roma se esforçava também por destruir todo registro de sua crueldade
para com os que dissentiam dela. Os concílios papais decretavam que
livros ou escritos contendo relatos desta natureza deviam ser lançados
às chamas. Antes da invenção da imprensa, os livros eram pouco
numerosos, e de forma desfavorável à preservação; portanto, pouco havia
a impedir que os romanistas levassem a efeito o seu desígnio.
Nenhuma igreja dentro dos limites da jurisdição
romana ficou muito tempo sem ser perturbada no gozo da liberdade de
consciência. Mal o papado obtivera poder, estendeu os braços para
esmagar a todos os que se recusassem a reconhecer-lhe o domínio; e, uma
após outra, submeteram-se as igrejas ao seu governo.
Na Grã-Bretanha o primitivo cristianismo muito cedo
deitou raízes. O evangelho, recebido pelos bretões nos primeiros
séculos, não se achava então corrompido pela apostasia romana. A
perseguição dos imperadores pagãos, que se estendeu mesmo até àquelas
praias distantes, foi a única dádiva que a primeira igreja da Bretanha
recebeu de Roma. Muitos dos cristãos, fugindo da perseguição na
Inglaterra, encontraram refúgio na Escócia; daí a verdade foi levada à
Irlanda, sendo em todos estes países recebida com alegria.
Quando os saxões invadiram. a Bretanha, o paganismo
conseguiu predomínio. Os conquistadores desdenharam ser instruídos por
seus escravos, e os cristãos foram obrigados a retirarse para as
montanhas e agrestes pauis. Não obstante, a luz por algum tempo oculta
continuou a arder. Na Escócia, um século mais tarde, brilhou ela com um
fulgor que se estendeu a mui longínquas terras. Da Irlanda vieram o
piedoso Columba e seus colaboradores, os quais, reunindo em torno de si
os crentes díspersos da solitária ilha de lona, fizeram desta o centro
de seus trabalhos missionários. Entre estes evangelistas encontrava-se
um observador do sábado bíblico, e assim esta verdade foi introduzida
entre o povo. Estabeleceuh-se uma escola em lona, da qual saíram
missionários, não somente para a Escócia e Inglaterra, mas para a
Alemanha, Suíça e mesmo para a Itália.
Roma, porém, fixara os olhos na Bretanha e resolvera
pô-la sob sua supremacia. No sexto século seus missionários
empreenderam a conversão dos pagãos saxões. Foram recebidos com favor
pelos orgulhosos bárbaros, e induziram muitos milhares a professar a fé
romana. O trabalho progredia e os dirigentes papais e seus conversos
encontraram os cristãos primitivos. Eloquente contraste se apresentou.
Os últimos eram simples, humildes e de caráter, doutrina e maneiras
segundo as Escrituras, ao passo que os primeiros manifestavam a
superstição, a pompa e a arrogância do papado. O emissário de Roma
exigiu que estas igrejas cristãs reconhecessem a-supremacia do soberano
pontífice. Os bretões mansamente replicaram que desejavam amar a todos
os homens, mas que o papa não tinha direito à supremacia na igreja, e
que eles poderiam prestar-lhe somente a submissão devida a todo
seguidor de Cristo. Repetidas tentativas foram feitas para se conseguir
sua adesão a Roma; mas esses humildes cristãos, espantados com o
orgulho ostentado por seus emissários, firmemente replicavam que não
conheciam outro mestre senão a Cristo. Revelou-se, então, o verdadeiro
espírito do papado. Disse o chefe romano: "Se não receberdes irmãos que
vos trazem paz, recebereis inimigos que vos trarão guerra. Se vos não
unirdes conosco para mostrar aos saxões o caminho da vida, recebereis
deles o golpe de morte." - His tória da Reforma do Décimo-sexto Século,
D'Aubigné. Não era isto simples ameaça. Guerra, intriga e engano foram
empregados contra as testemunhas de uma fé bíblica, até que as igrejas
da Bretanha fora |